Governo dos Açores diz que Tech Island compensará a "médio prazo" redução de empregos
9 de mai. de 2019, 15:38
— Lusa/AO Online
"Este ritmo que vamos continuar a
imprimir, cada vez com maior intensidade, irá permitir a médio prazo
que, com os postos de trabalho diretos, o impacto na economia, na
geração de riqueza na ilha Terceira através do Terceira Tech Island,
seja claramente superior àquele que decorreu da redução dos postos de
trabalho direto na Base das Lajes", defendeu o vice-presidente do
executivo açoriano.Sérgio Ávila falava na
Assembleia Legislativa dos Açores, na Horta, num debate de urgência
pedido pelo PS e dedicado à estratégia de desenvolvimento tecnológico na
economia da região.O projeto Terceira
Tech Island, muito falado pelo governante na sua intervenção em
plenário, consiste na criação de um ‘hub’ tecnológico na Praia da
Vitoria na área da programação e produção de 'software' para prestação
de serviços, criado pela identificação da existência de necessidades do
mercado global no âmbito das TIC (Tecnologias de Informação e
Comunicação) e da oportunidade de instalar novas atividades económicas
que substituíssem as derivadas da Base das Lajes.A
iniciativa, prosseguiu Ávila, já demonstrou que a região "pode atrair
empresas internacionais que, dos Açores, trabalham para o mundo",
implementando-se na Terceira e aproveitando "um sistema fiscal
extremamente competitivo" e "recursos humanos muito qualificados e com a
devida formação".Já o secretário regional
com a tutela da Tecnologia, Gui Menezes, abordou os projetos associados
ao espaço instalados na ilha de Santa Maria, que "compreendem um
universo de mais 40 empresas regionais", fornecedoras diretas de
serviços aos 'players' dos projetos."Desde 2009, o impacto direto estimado na economia regional destes serviços é superior a três milhões de euros", sustentou.O
maior partido da oposição, o PSD, trouxe a debate três casos de
divulgação de dados pessoais que existiram na região "desde 2017"."Primeiro
foram os dados de 231 mil utentes do Serviço Regional de Saúde. Depois
foram expostos na Internet informações pessoais de alunos da Escola
Básica Integrada de Angra do Heroísmo. E, recentemente, foram expostos
no site da Atlânticoline cópias digitalizadas de cartões de cidadão de
passageiros, incluindo menores", declarou o social-democrata Luís
Rendeiro, que pediu do executivo medidas para garantir a segurança dos
dados pessoais dos açorianos.Mais à
direita, o CDS-PP, pelo deputado Alonso Miguel, sinalizou que
"infelizmente, continua a não existir uma carreira científica na região"
e os investigadores açorianos "continuam a viver em regime de enorme
precariedade, numa tremenda incerteza, constantemente preocupados e
atormentados pela dúvida de haver ou não financiamento para o próximo
projeto de investigação". "Obviamente que
não é possível fazer investigação neste quadro de insegurança e
instabilidade. E, sem cumprir com esta premissa básica, dificilmente se
reúnem condições para o desenvolvimento de uma verdadeira cultura
científica. Por outro lado, não basta dizer que a Universidade dos
Açores é um parceiro estratégico. É preciso que a Universidade dos
Açores seja mesmo um parceiro estratégico, privilegiado, apoiado e
acarinhado", prosseguiu o centrista.Pelo
Bloco de Esquerda, o deputado António Lima lembrou a necessidade de
haver uma "especialização" no que se pode chamar, "de forma muito lata,
de ciências do mar"."Esta especialização,
nunca foi nem é sinónimo de negação de outras áreas do conhecimento ou
tecnologia, mas sim a afirmação da necessidade de um investimento
superior nesta área.O PS, que levou o tema
das tecnologias a debate, defende que os Açores acompanham hoje a
"revolução tecnológica" global "através de projetos que qualificam" a
autonomia, que "conferem expressão real ao valor geoestratégico dos
Açores e que, sobretudo, garantem novas oportunidades de empregabilidade
e desenvolvimento neste século XXI".“O
Governo dos Açores investe em projetos tecnológicos que projetam os
Açores nas nossas últimas fronteiras do mar e do espaço, dando efeito de
força e sentido ao conceito de região geostratégica”, realçou o
deputado socialista José Contente.