Governo dos Açores diz que taxas para escalas técnicas em Santa Maria são mais baixas
21 de dez. de 2022, 14:59
— Lusa/AO Online
“A
presidente da câmara [de Vila do Porto], ou por ignorância, que não
quero acreditar que seja, ou por estar mal informada, falta
olimpicamente à verdade. A presidente sabe que, para as escalas
técnicas, pagam por tonelada 1,10 euros em Santa Maria e nos restantes
aeroportos, incluindo o das Lajes, são 3,64 euros”, afirmou o
vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, em declarações aos
jornalistas, em Angra do Heroísmo.O
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) aprovou, na segunda-feira, num
conselho de governo realizado em Santa Maria, a prorrogação por um ano
da redução em 50% dos “quantitativos das taxas de tráfego, de
assistência em escala e de ocupação da Aerogare Civil das Lajes”, na
ilha Terceira.A decisão motivou críticas
da presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, a socialista Bárbara
Chaves, que alegou que a redução de escalas técnicas no aeroporto de
Santa Maria pode pôr “em causa cerca de 20 postos de trabalho”.“Uma
das questões da ANA tem a ver com as taxas na aerogare das Lajes, que
são mais reduzidas do que as nossas [em Santa Maria]. Sendo essa uma
concorrência desleal, não me posso calar relativamente a essa decisão do
Conselho de Governo”, apontou, na terça-feira.O
vice-presidente do executivo açoriano acusou esta quarta-feira Bárbara Chaves de
confundir taxas de aterragem, descolagem e estacionamento de aeronaves
com taxas de utilização da aerogare, que disse não terem “impacto em
Santa Maria”.“A senhora presidente falta à verdade. Se há concorrência desleal parece-me que é ao contrário”, acrescentou.Artur
Lima disse que as “boas notícias” levadas pelo executivo açoriano na
visita estatutária a Santa Maria provocaram “azia na senhora presidente
da câmara”, que reagiu “de uma forma intempestiva e sem nenhuma razão”.Segundo
o governante, que tutela a gestão da Aerogare Civil das Lajes, é a
Força Aérea Portuguesa que “estabelece o preço” das taxas de descolagem,
aterragem e estacionamento de aeronaves na ilha Terceira e cobra o
mesmo valor praticado no aeroporto de Ponta Delgada, na ilha de São
Miguel.Artur Lima lembrou que a redução de
50% das taxas de utilização da aerogare da ilha Terceira vigora já
desde 2015, devido ao impacto económico da redução militar
norte-americana na Base das Lajes, e que foi implementada por um governo
do PS.“Eu era deputado [do CDS] e não
votei a favor, o PSD não votou a favor, o PPM não votou a favor. Só o
Partido Socialista e a [à data] senhora deputada Bárbara Chaves é que
aprovaram estas taxas”, vincou.O
vice-presidente do executivo açoriano justificou a prorrogação da
redução das taxas de utilização da aerogare das Lajes por mais um ano
com o “cenário de aumento de inflação, de guerra na Ucrânia e de crise”,
que afeta os empresários que têm lojas na infraestrutura.Questionado
sobre o facto de a autarca de Vila do Porto ter dito que o presidente
do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, se tinha comprometido a
terminar com as “isenções” nas Lajes, Artur Lima acusou-a de
“descortesia enorme”.“Quem falou na
reunião de câmara fui eu. Há uma falta de verdade por parte da
presidente da câmara. O que o senhor presidente do governo se dispôs foi
a colaborar e a ajudar a senhora presidente e o município de Vila do
Porto para, junto da ANA, sensibilizá-los para a abertura do aeroporto
[entre as 00h00 e as 06h00]”, afirmou.Quanto
às acusações de que o executivo açoriano baixou as taxas para “se
manter no poder, porque a Aerogare das Lajes é gerida pelo
vice-presidente”, o governante respondeu dizendo que o PS sempre teve
“uma política de dividir para reinar”, colocando “umas ilhas contra as
outras”.“A presidente já se esqueceu de
que não é deputada e continua no mesmo registo. A coligação de governo
está cada vez mais coesa, mais forte e empenhada em desenvolver os
Açores de ocidente a oriente”, salientou.