Governo dos Açores diz que Sinaga não está falida e admite nova unidade fabril
22 de nov. de 2017, 19:53
— Lusa/AO Online
“Uma
nova unidade fabril não terá que ser necessariamente naquele local
(atuais instalações em Ponta Delgada), que tem um potencial enorme para o
ordenamento urbanístico. Terá que ser ajustada às necessidades, na
altura, às potencialidades que existirem, à adesão dos agricultores e
evolução do mercado na perspetiva de preços”, disse João Ponte.O
responsável pela pasta da Agricultura foi ouvido na comissão
parlamentar de Economia, a pedido do PSD/Açores, na sequência da decisão
do Governo Regional de suspender a transformação de beterraba em açúcar
na Sinaga, que possui um passivo de 26 milhões de euros.O
Governo Regional dos Açores anunciou em fevereiro de 2010 a aquisição,
por 800 mil euros, de 51 por cento do capital da açucareira Sinaga, que é
a única empresa transformadora de beterraba existente em Portugal,
visando a sua viabilização e salvaguarda dos postos de trabalho.João
Ponte, nas declarações aos jornalistas, referiu, por outro lado, que 26
trabalhadores da Sinaga, dos 46 que transitam para a administração
regional, no âmbito de uma cedência de interesse público, “já têm
definido, do nosso ponto de vista, qual o melhor local de trabalho para
se integrarem”, esperando-se, agora, pela sua concordância.O
governante adiantou que os trabalhadores vão ser transferidos, em
“grande parte” para o matadouro da ilha de São Miguel, mantendo o seu
vencimento, acrescido do pagamento de um subsídio de risco, transitando
os restantes para os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel,
parques florestais, SERCLA, laboratório de sanidade vegetal, entre
outros.João
Ponte repudiou que a empresa esteja em falência técnica, sustentando que
o ativo é superior ao passivo em cerca de 800 mil euros, com base no
balanço da empresa de 2016.“Naturalmente
que o passivo bancário é inferior e, desde 2014, assistiu-se a uma
redução de 1,7 milhões de euros em 2014 e 2016”, acrescentou. António
Almeida, do PSD/Açores, lamentou que não tenham sido fornecidos pelo
secretário regional elementos que pudessem permitir uma avaliação da
atuação do Governo Regional desde da compra do capital da Sinaga, em
2010, até à situação atual e perspetivas para o futuro.Também
Graça Silveira, do CDS-PP, condenou a “falta de disponibilidade em
esclarecer as questões financeiras”, tendo António Lima, do BE,
considerado que “os contornos do negócio ficam por apurar” e que os
fundamentos da intervenção do Governo dos Açores “não foram cumpridos”.Carlos
Silva, deputado socialista, considerou que ficou claro na audição
parlamentar qual a posição da oposição sobre a Sinaga e declarou que as
contas da empresa são públicas, estando disponíveis no sítio do
parlamento açoriano.