Governo dos Açores diz que se enfrentou os danos do “Lorenzo” por causa da autonomia
15 de out. de 2019, 17:37
— Lusa/AO online
“Pensem, por um
momento, aquilo que seria, quer na fase de preparação para enfrentar o
furacão, quer agora na fase de resolver os problemas que esta tempestade
trouxe, se nós, açorianos, não tivéssemos a autonomia e órgãos de
governo próprio”, declarou Vasco Cordeiro.O
presidente do Governo Regional falava no parlamento regional, reunido
em plenário, na Horta, no âmbito de uma interpelação do deputado do
PPM/Açores, Paulo Estevão, sobre o “Lorenzo”.A
passagem do furacão "Lorenzo" nos Açores, em 02 de outubro, provocou
prejuízos de cerca de 330 milhões de euros, anunciou na segunda-feira o
governante.Para o líder do executivo
açoriano, é sobretudo nestas ocasiões que fica provado que a autonomia
“é um sistema e um instrumento que está ao serviço dos açorianos e,
sobretudo, que faz a diferença para melhor nas suas vidas”.O
governante assegurou que as decisões políticas em relação ao furação
“Lorenzo” têm sido adotadas “o mais rápido possível”, mas alertou que há
um “tempo técnico” a considerar.Vasco
Cordeiro disse que “o tempo da reconstrução será o tempo que, do ponto
de vista técnico, será necessário levar”, tendo salvaguardado que já
foram tomadas decisões por parte do executivo açoriano e que, à medida
que for necessário tomar outras decisões, elas serão tomadas de “forma
célere”.O chefe do Governo Regional
referiu que “há um tempo técnico, ou seja, o tempo necessário para
projetar um novo porto, o tempo necessário para realizar a obra de um
novo porto, o tempo necessário para projetar e realizar as obras em
muitas infraestruturas portuárias afetadas na região”.O
deputado Paulo Estevão, autor da interpelação, sublinhou o facto de o
Governo Regional ter apresentado na segunda-feira, “a menos de 24 horas
da presente” iniciativa parlamentar, o balanço dos prejuízos causados
pelo furacão "Lorenzo" e enumerou as medidas entretanto executadas e
planeadas. “O propósito é evidente:
pretendeu esvaziar de conteúdo a iniciativa da representação parlamentar
do PPM e da discussão que agora se inicia neste hemiciclo”, declarou o
parlamentar. Paulo Estevão afirmou que
não tem “nada a opor”, sendo que o Governo Regional “apenas antecipou 24
horas o efeito" que pretendia alcançar”, sendo o seu objetivo político
“catalisar, estimular a rapidez e a celeridade do processo de
reconstrução e de resposta às populações”.Para
o líder do grupo parlamentar da bancada da maioria socialista,
Francisco César, "é preciso falar com honestidade às pessoas sobre o
processo de recuperação" deste fenómeno que considerou atípico nos
Açores.“Nós vamos fazer o que for
necessário, com os meios que temos, para já, disponíveis, para minorar o
impacto na vida das pessoas (…) mas, vamos ser claros, a situação que
temos não é de normalidade”, concluiu.O
deputado do PSD/Açores Bruno Belo defendeu, entretanto, que devem ser
procurados de “imediato” navios adequados para abastecer a ilha das
Flores, devido à operacionalidade reduzida do Porto das Lajes das
Flores, "profundamente danificado" pela passagem do "Lorenzo".“Devem
ser procuradas de imediato soluções de navios capazes de operar no
‘Cais -5’ do Porto das Lajes das Flores. Esses navios devem ter
capacidade de transporte suficiente e efetuar carreiras regulares em
função das necessidades”, afirmou o social-democrata.O
parlamentar centrista Alonso Miguel questionou o Governo dos Açores
sobre se, face às alterações climáticas, em se prevê que este tipo de
fenómeno “possa ocorrer cada vez com maior frequência nas ilhas, o
Governo Regional tem previstas medidas de correção e adaptação a estes
fenómenos”.O deputado do Bloco de Esquerda
António Lima considerou que esta interpelação “é trazida por um
partido, mas deveria ter sido o próprio Governo Regional a agendar uma
comunicação ao parlamento”, o que “demonstra que o Governo não valoriza o
papel do parlamento”.“É preciso, no
entanto, olhar para a frente e a atenção que está a ser dada agora à
resolução dos problemas tem de ter continuidade e não pode ficar
enredada em processos burocráticos”, disse, para manifestar preocupação
especial com o Porto das Lajes das Flores.