Governo dos Açores diz que região vai ter “todas as potencialidades” para estudar o mar
Hoje 17:16
— Lusa/AO Online
“Sim,
eu acho que essa reflexão [sobre o estudo do mar pelos Açores] deve ser
feita em termos de futuro, por vários motivos. Eu disse ali [no
discurso proferido antes], [que] ‘já fomos várias vezes à lua, era
preciso que a gente olhasse para o nosso mar, que nós conseguimos tocar
com a mão’. E nós vamos ter todas as potencialidades para isso”, disse
Artur Lima à agência Lusa, após ter presidido à sessão de abertura da
“S3 Summit 2026”, no Nonagon - Parque de Ciência e Tecnologia de São
Miguel, na cidade da Lagoa.Segundo o
governante, para o estudo do mar, os Açores vão ter o Tecnopolo -
MARTEC, um centro experimental de investigação e desenvolvimento ligado
ao mar, na Horta, na ilha do Faial e o navio de investigação
oceanográfica ‘NI AZORES OCEAN’, ambos financiados pelo Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR).A Comissão
das Pescas do Parlamento Europeu também aprovou, em 2025, a instalação
de um Observatório Europeu do Mar Profundo, que, a concretizar-se,
deverá ser fixado na Horta, o que para Artur Lima será “extraordinário”.“Portanto,
temos todas as qualidades para olhar para o nosso mar, estudar o nosso
mar, estudar as nossas riquezas marítimas e marinhas, para além da
biodiversidade”, afirmou.E prosseguiu: “Eu
acho que os Açores têm essa oportunidade de olhar com mais cuidado e,
sobretudo, a Europa tem esse dever de nos ajudar, a compreender, a
estudar, a quinta maior zona económica exclusiva da Europa e a maior
portuguesa”.“Eu acho que o espaço,
obviamente, está na moda, mas é o mar que nos rodeia, que nos abraça
todos os dias, e é esse mar que nós temos que perceber e entender”,
concluiu Artur Lima.O vice-presidente do
executivo açoriano também deixou uma mensagem de satisfação pela
qualidade dos 37 projetos científicos de investigação apresentados no
evento, que decorre até sexta-feira na cidade da Lagoa, considerando que
os Açores têm futuro como região ultraperiférica.“Têm
futuro na Europa e são importantes para a Europa. E [é preciso] que a
Europa olhe para nós, porque a Europa precisa de nós. E esta ciência que
se faz aqui é ciência de excelência, qualificada a nível europeu, que é
valorizada a nível europeu e os europeus olham para nós, para a nossa
universidade, para os nossos investigadores como tendo qualidade”,
declarou à Lusa.Artur Lima acrescentou que
o trabalho que a Direção Regional de Ciência e Tecnologia tem feito é
“absolutamente extraordinário”, recordando que o Governo Regional já
financiou cerca de 1,4 milhões de euros que “alavancaram cerca de nove
milhões de euros”.“É um investimento
altamente rentável. Quer dizer, investir 1,4 ou 1,5 milhões [de euros] e
ir buscar cerca de 9 milhões para a Região Autónoma dos Açores é
absolutamente extraordinário […]. E, sobretudo, é interessante para
estimular a fixação de jovens investigadores e de talento aqui na
região”.Adiantou ainda que a Universidade
dos Açores está a construir três novas residências universitárias no
âmbito do PRR e o Governo Regional tem colaborado, com o objetivo de
fixar estudantes e investigadores.Na
sessão de abertura da “S3 Summit 2026”, sobre o tema “Regiões
ultraperiféricas territórios com futuro?”, a diretora regional da
Ciência, Inovação e Desenvolvimento dos Açores, Rute Gregório, referiu
que os projetos desenvolvidos na região - mais de três dezenas -, estão a
“criar valor”.A responsável assumiu que,
nos Açores, a ciência “está cada vez mais orientada para os resultados,
assenta em parcerias e responde a desafios reais da região” e os
projetos envolvem várias universidades, centros de investigação,
empresas e administração pública.Para a responsável, as regiões ultraperiféricas, como os Açores, "são territórios com futuro".