Governo dos Açores diz que região é a mais prejudicada pelos constrangimentos no Aeroporto de Lisboa

Hoje 15:31 — Lusa/AO Online

“O problema do Aeroporto de Lisboa, de não conseguir aumentar o número de aterragens e descolagens por hora, e, portanto, de não conseguir atribuir mais ‘slots’ [faixas horárias] é um problema para o país todo. Mas a região que mais é afetada por esse problema é a Região Autónoma dos Açores, porque nós temos cinco ‘gateways’ [portas de entrada] para ligar a Lisboa e ao Porto, enquanto a Madeira tem duas”, afirmou Berta Cabral.A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na sessão de abertura do Encontro Anual da Associação de Turismo em Espaço Rural – Casas Açorianas.Os Açores registam uma quebra de dormidas em alojamentos turísticos há 11 meses consecutivos, com expressão sobretudo no mercado nacional.Desde abril que as ligações entre os Açores e o continente são asseguradas apenas pelas companhias TAP e a Azores Airlines, do grupo SATA.A governante rejeitou, no entanto, responsabilidades pela saída da companhia aérea de baixo custo Ryanair, no final de março.“Não escondo que todos nós gostaríamos de ter a Ryanair nos Açores. Não só pela conectividade, mas também pela projeção que a própria Ryanair dá dos Açores nos vários mercados onde opera, mas, como alguém dizia em 2017, quando se foi embora a EasyJet, são empresas privadas, fazem as suas opções e não há forma de alterar essas convicções”, apontou.Segundo Berta Cabral, a companhia de baixo custo mantém as faixas horárias no Aeroporto de Lisboa que utilizava para voar para os Açores e que agora são utilizadas em voos para Marrocos.“A Ryanair não se dá muito bem com as normas europeias. E levou os seus ‘slots’. Os ‘slots’ no aeroporto de Lisboa são das companhias, não são das rotas. E, portanto, os ‘slots’ que a Ryanair tinha em Lisboa para voar para os Açores, pegou neles e está a voar para Marrocos. Tem 16 bases em Marrocos, um país que não é da União Europeia, onde não há as dificuldades, as taxas e os problemas que a União Europeia impõe”, adiantou.A governante revelou que o executivo já fez diligências para aumentar o número de ‘slots’ no Aeroporto de Lisboa junto do ministro das Infraestruturas, do secretário de Estado do Turismo, da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), da ANA – Aeroportos de Portugal e até junto do presidente da Câmara Municipal de Lisboa.“E ele disse: ‘Eu não quero que o aeroporto aumente mais do que aquilo que já está, mas para os Açores tudo’. Só que isto depois tem mecanismos também ligados à União Europeia e até agora não temos conseguido”, avançou.“Talvez, todos juntos consigamos fazer ver que os Açores têm uma situação muito particular, que é uma região insular, dispersa entre si. Temos cinco ‘gateways’ e sem aviões ninguém chega cá”, acrescentou.Segundo Berta Cabral, a disponibilidade de voos para os Açores é “fundamental” e é “o maior constrangimento” da região neste momento.“Quando abordamos alguma companhia aérea, a primeira coisa que nos perguntam é se nós arranjamos ‘slots’. Claro que não nos compete a nós, Açores, arranjar ‘slots’. Por isso, temos estado a trabalhar com todas estas entidades para podermos procurar novas ligações para os Açores”, vincou.A titular da pasta do Turismo disse que a região tem, por isso, “apostado grandemente nos voos internacionais”, lembrando que neste verão voaram para a região 16 companhias aéreas, 14 das quais com ligações do estrangeiro.“Se não podem vir de Lisboa e do Porto, que também já está com alguns constrangimentos, então nós temos de apostar, como temos feito, no mercado internacional”, frisou.