Governo dos Açores diz que recuperação do tempo de serviço docente depende do OE
16 de out. de 2018, 15:37
— Lusa/AO Online
A
opinião foi manifestada na Assembleia Legislativa dos Açores, pelo
secretário regional da Educação, Avelino Meneses, durante uma
interpelação ao Governo, suscitada pelo PPM, a propósito das
reivindicações da classe docente no arquipélago pelo descongelamento das
carreiras."Não
nos pronunciaremos, em concreto, sobre esta proposta [do Governo da
República], porque ainda, em sede de discussão do OE, a matéria pode vir
a ser tratada por força dos constrangimentos de um governo minoritário,
sempre dependente de sucessivos acordos de incidência parlamentar",
lembrou o governante.O
titular da pasta da Educação insiste, por isso, na necessidade de os
professores dos Açores aguardarem pelo desfecho da solução que vier a
ser adotada no continente, para só depois ser aplicada uma solução
regional, garantindo, porém, que os docentes da região ficarão "sempre",
em vantagem, face aos colegas do território nacional.Contudo,
o deputado do PPM, Paulo Estêvão, entende que o executivo açoriano deve
tomar uma decisão imediata, que resolva os problemas dos docentes da
região, em vez de aguardar por uma solução nacional."Se
está a favor da recuperação integral do tempo de serviço dos docentes,
cabe ao Governo Regional elaborar uma proposta que permita alcançar, de
forma gradual, esse objetivo", defendeu o parlamentar monárquico,
considerando que "não é digno" o executivo "refugiar-se nas saias de
Lisboa".O
deputado disse também que é necessário tornar a carreira docente "mais
apelativa" nos Açores, sob pena de, a curto prazo, a região vir a
enfrentar um cenário "impensável" de vir a ter "falta de professores,
como agora, por exemplo, tem falta de médicos".Por
seu lado, Sónia Nicolau, do PS, que está em maioria no parlamento dos
Açores, entende que este debate parlamentar é extemporâneo, na medida em
que "não há nada de novo" para discutir."Isto
é um debate requentado, porque nada mudou! Nós não temos uma solução
nacional e o compromisso que o Partido Socialista aqui apresentou, e que
foi aprovado, é precisamente de aguardar por uma solução nacional",
recordou a deputada socialista.Rute
Gregório, do CDS, lembrou, porém, que o mais importante é saber
"quando" é que se vai descongelar as carreiras dos professores que
desempenham funções na região."A
questão urgente não é se se vai contabilizar todo o tempo de serviço!
Não é se deve o Governo Regional negociar uma solução com os professores
da região autónoma dos Açores! É apenas, a bem do ensino e dos nossos
alunos, quando", frisou.Para
António Lima, do Bloco de Esquerda, o Governo Regional não quer tomar
uma decisão, para não afrontar o Governo da República, preferindo
“prejudicar os professores e abdicar do poder de decisão que tem sobre
esta matéria, para não criar problemas a António Costa”.O PSD levou ao plenário uma proposta concreta para a recuperação faseada do tempo de serviço congelado."Propomos,
com esta iniciativa, que os sete anos de serviço prestados pelos
professores dos Açores, que estiveram congelados, comecem já a contar a
partir de 01 de janeiro de 2019, prolongando-se por cinco anos, de modo a
que, em 2023 esse tempo de serviço possa estar totalmente recuperado",
explicou o deputado Jorge Jorge.Já
João Paulo Corvelo, deputado do PCP, denunciou algumas "curiosidades"
que ocorreram durante a discussão das várias propostas em discussão na
Comissão de Assuntos Sociais, que no seu entender pretendem "esconder a
real intenção de apagar o tempo de serviço dos docentes"."Para
nós é urgente valorizar a carreira dos docentes em exercício na região,
de acordo com o tempo de serviço que estes efetivamente prestaram",
insistiu o parlamentar comunista, e não é "inimagináveis pormenores" que
poderão, na sua opinião, condicionar uma futura solução para o
problema.