Governo dos Açores diz que projeto da semana de quatro dias decorreu com tranquilidade
Hoje 17:27
— Lusa/AO Online
O
Governo dos Açores iniciou a 02 de janeiro o projeto-piloto da semana
de quatro dias na administração pública. A
experiência envolveu 380 trabalhadores de 13 serviços e serviu para
analisar as consequências da redução de 35 para 32 horas de trabalho
semanais.Segundo Duarte Freitas, o projeto-piloto “decorreu com toda a normalidade e tranquilidade”.“Aquilo
que nós podemos desde já sublinhar, é que este foi feito por regime de
voluntariado, quer seja pelos serviços, quer seja pelos trabalhadores”,
disse aos jornalistas, na ilha de Santa Maria, onde o Governo Regional cumpre o segundo dia de uma visita estatutária.De
acordo com o governante, dos 380 trabalhadores que se disponibilizaram
para integrar a experiência piloto, “só três é que desistiram”.“E
a informação que temos […] é, para já, que funcionou com tranquilidade,
atingindo-se no serviço público aquilo que se pretendia. Mas, como
digo, a métrica vai ser feita em função deste semestre, comparando com o
semestre homólogo de 2025”, referiu.Duarte
Freitas explicou ainda que a avaliação métrica terá a ver “com a
qualidade e eficiência” do serviço prestado aos utentes e, também, com a
compatibilidade entre a vida profissional e familiar dos funcionários
públicos.“Vamos ter, em breve, uma análise
e um relatório sobre as conclusões deste projeto-piloto para que depois
se possam tomar decisões [sobre] o que é que se vai efetivamente
avançar ou não”, disse.Ainda segundo o
secretário regional, a experiência açoriana é o quarto projeto a nível
europeu e o sexto projeto a nível mundial e “aquilo que se pretende é
fazer uma análise de uma métrica que tem a ver não só com o serviço à
população, a qualidade desse serviço, mas também na perspetiva da
qualidade de vida dos trabalhadores das funções públicas”.“Isto
é, queremos saber se esta semana de quatro dias melhora ou não o
serviço efetivamente prestado aos cidadãos, aos utentes, e se melhora ou
não a capacidade dos funcionários públicos e a sua ligação com a vida
familiar”, explicou.O projeto de
flexibilidade laboral foi apoiado por investigadores da Universidade de
Reading, na Inglaterra, que deram “um aporte técnico e científico que
certamente será fundamental para o relatório” que será apresentado em
setembro, com as conclusões.Segundo o
governante, as conclusões do relatório serão analisadas em Conselho
Consultivo da Administração Pública Regional e também em Conselho do
Governo, para que, depois, “se possam tomar as decisões o mais
sustentadas e dialogadas possíveis”.Integraram
o projeto-piloto as direções regionais da Ciência, Inovação e
Desenvolvimento, do Desporto, do Desenvolvimento Rural, das Pescas, a
Divisão Administrativa e Financeira da Direção Regional da Cultura, o
Fundo Regional de Apoio à Coesão e ao Desenvolvimento Económico, a
Inspeção Administrativa Regional, a Inspeção Regional das Pescas e dos
Usos Marítimos, a Inspeção Regional do Ambiente, o Laboratório Regional
de Engenharia Civil, a Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC), e as
Secretarias Regionais da Saúde e Segurança Social (Gabinete Central) e
dos Assuntos Parlamentares e Comunidades.O
projeto-piloto foi anunciado pelo presidente do Governo Regional, José
Manuel Bolieiro, em 10 de outubro, com o objetivo de “melhorar a
conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar, potenciar
ganhos de produtividade e bem-estar, e contribuir para a competitividade
dos serviços”.