Governo dos Açores diz que modelo de gestão do hospital de Ponta Delgada tem de mudar

Hoje 15:18 — Lusa/AO Online

“Ainda bem que foi feito este relatório, porque permitiu identificar de forma concreta essas falhas [na gestão hospitalar]”, afirmou Mónica Seidi, referindo-se ao estudo que já tinha sido anunciado pela administração hospitalar.Em declarações aos jornalistas, a titular da pasta da Saúde disse que, em relação a algumas conclusões, “o conselho de administração e a Secretaria Regional da Saúde, pelo funcionamento, já se tinham apercebido que era necessário haver uma reformulação da gestão do hospital”.O diagnóstico elaborado pela Deloitte Business Consulting indica, segundo o jornal Açoriano Oriental, que o HDES “enfrenta fragilidades significativas nos serviços de apoio, logística e compras associados ao bloco operatório, defendendo uma reorganização estrutural e uma aposta reforçada na digitalização dos processos”.O relatório, divulgado pelo parlamento regional em resposta a um requerimento do PS/Açores e divulgado pelo diário na quinta-feira, identifica 59 pontos críticos distribuídos por várias áreas operacionais, com especial incidência na gestão de compras e no aprovisionamento. Para Mónica Seidi, “a responsabilidade do conselho de administração é acrescida, na medida que terá que implementar medidas para colmatar essas falhas, para que ocorra uma transformação naquilo que é a logística e o dia-a-dia do hospital”. “Há práticas que já vêm de alguns anos, que têm que ser corrigidas e atualizadas à luz do que é o modelo de gestão dinâmico e atual do sistema de saúde, que está em constante evolução. Vou ficar muito mais satisfeita quando tiver a perceção de que essas falhas foram ou estarão a ser corrigidas pelo conselho de administração”, afirmou.A governante frisou que as “medidas são necessárias”. “Não é possível continuar a gerir o hospital da mesma forma sem que sejam incutidas algumas mudanças que permitiam aproveitar ainda melhor os recursos”, acrescentou.Em abril, a administração do HDES - onde ocorreu um grande incêndio em maio de 2024 - anunciou estar a implementar um novo modelo de governação que pretende corrigir ineficiências, estando a sua plena operacionalização prevista até final do ano. “É vontade do conselho de administração ter um regulamento interno de funcionamento com os serviços a funcionarem em conformidade até final do ano”, afirmou o presidente do conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada, Carlos Pinto Lopes, aos jornalistas.A atualização, assumiu, surge como resposta à necessidade de adaptação à realidade atual da unidade, sobretudo após o incêndio de maio de 2024 “onde ficaram evidentes algumas ineficiências”. Carlos Pinto Lopes adiantou que um estudo realizado pela Deloitte identificou precisamente “ineficiências” e “pontos de estrangulamento”, entre os quais a falta de integração entre serviços, que tem levado à duplicação de despesas, e a ausência de uma organização funcional adequada em áreas críticas.A 4 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.Mónica Seidi esteve no hospital para lançar simbolicamente três viaturas que vão servir o hospital, de um conjunto de 76 que serão distribuídas por todo o Serviço Regional da Saúde dos Açores (SRS), no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).De acordo com a titular da pasta da Saúde, “no âmbito da primeira candidatura [ao PRR], as metas principais já foram alcançadas”, havendo uma segunda “ainda mais ambiciosa”, com a aquisição de equipamentos hospitalares (165).As viaturas “vêm dar um reforço muito positivo a todas as instituições do SRS”, já que permitem “substituir um parque automóvel que já estava bastante obsoleto”. “Vão permitir várias funções, sendo necessário continuar a investir em serviços de saúde de proximidade, como a hospitalização domiciliária”, para além do apoio a pessoas com mobilidade reduzida, referiu.Seidi destacou a “quantidade significativa de equipamentos” para o SRS no âmbito do PRR e sublinhou que “todo o investimento feito no âmbito do apetrechamento do hospital modular transitará para o futuro HDES”.De acordo com a governante, no âmbito do PRR, “já foram rececionados equipamentos no valor de um milhão de euros, pelo HDES e pelo hospital da Terceira, incluindo um há muito desejado sequenciador genético.Este equipamento irá “permitir que o rastreio do cancro do pulmão avance nos Açores” até ao “final do primeiro semestre deste ano”. Além disso, está “em fase de operacionalização” o sistema de ecoendoscopia brônquica.