Governo dos Açores diz que mobilidade dos açorianos melhorou, oposição contesta
3 de jul. de 2019, 12:23
— Lusa/AO Online
"Devemos viver em mundos paralelos. Dizer que
este Governo [Regional] não tem política para os transportes aéreos e
marítimos é não estar neste planeta. (...) É inegável que a mobilidade
dos açorianos está muito diferente do que era há 10 anos, há 15, até há
cinco. Estamos no bom caminho", frisou a secretária regional Ana Cunha,
falando no parlamento dos Açores num debate, a pedido do CDS-PP, sobre
as acessibilidades na região.Ana Cunha
lembrou que recentemente esteve "oito horas na comissão de Economia" a
falar dos mesmos temas que a trazem hoje ao hemiciclo, mas os deputados,
acusou, "não estão interessados em ouvir" as explicações do executivo.O
PS diz que nunca houve "tantos
voos, tantas ligações de e para a região" e "tantos voos inter-ilhas"."Estes
resultados são frutos do Governo dos Açores, do PS, que concretizou a
maior reforma de sempre do modelo de acessibilidades de e para a
região", declarou o deputado socialista André Rodrigues, que valorizou
ainda, como consequência destes dados, o aumento dos proveitos do
turismo em todas as ilhas e o seu reflexo no "emprego e progresso
económico".Para o PSD, maior partido da
oposição, a "avaliação muito negativa da situação neste setor é quase
unânime apenas com duas exceções: O Governo Regional e o partido
socialista".E prosseguiu o parlamentar
social-democrata António Vasco Viveiros: "O que está em causa é a
responsabilidade de quem nos governa e a sua falta de credibilidade para
inverter esta situação".O presidente do
Governo Regional, Vasco Cordeiro, "tem responsabilidades diretas" no
caso da SATA "nos últimos 11 anos, dos quais sete anos nas atuais
funções", acrescentou ainda o deputado do PSD/Açores.O
PPM, pelo deputado único do partido no hemiciclo açoriano, Paulo
Estêvão, criticou o PS por “dizer que este problema não existe" e os
açorianos e deputados "são todos uns ingratos" por "não reconhecerem os
méritos" da governação socialista."Os senhores não assumem as vossas responsabilidades", disse o deputado, dirigindo-se à bancada do executivo e do PS.À
esquerda, o líder da bancada bloquista, António Lima, lembrou que, na
SATA, trocam-se administrações mais rapidamente "do que se trocam
treinadores em clubes de futebol, e com piores resultados"."São
evidentes os motivos para este tema voltar a esta assembleia: os
problemas sucedem-se e nada corre como devia", prosseguiu o parlamentar
do BE.Já o PCP advoga que as "políticas
erradas" no setor dos transportes "não só não resolvem os graves
problemas de acessibilidades e de mobilidade" como "os vão agravando"."Se
há setor onde mais se faz sentir a política centralista do poder
regional, esse é, sem dúvida, todo o setor dos transportes,
designadamente os transportes aéreos e marítimos", prosseguiu o deputado
único dos comunistas no parlamento açoriano, João Paulo Corvelo.O
CDS, que agendou o debate, sublinhou que a "mobilidade dos açorianos e
as acessibilidades da região são condição de liberdade, de progresso e
de riqueza", sendo necessário no arquipélago um "novo paradigma de
políticas públicas de transportes"."Defendemos
e afirmamos um novo paradigma de políticas públicas de transportes que
contribuam para uma efetiva coesão social e económica das nossas ilhas e
garantam um efetivo direito à mobilidade dos açorianos", vincou o líder
dos centristas açorianos, Artur Lima, no arranque do debate.