Governo dos Açores diz que listas de esperas cirúrgicas refletem aumento de diagnósticos
Hoje 16:53
— Lusa/AO Online
“Se
nós estamos a melhorar a acessibilidade ao Serviço Regional de Saúde,
com mais diagnósticos, com mais realização de exames e de consultas, o
doente acaba por ter mais indicações cirúrgicas que entram na lista de
espera”, afirmou a titular da pasta da Saúde, Mónica Seidi,
aos jornalistas, à margem de uma reunião com o conselho de administração
do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT).Segundo
os dados mais recentes publicados na página da Direção Regional da
Saúde, no final de fevereiro estavam inscritos para cirurgia 13.480
utentes nos Açores, mais 1.172 (9,5%) do que no mesmo mês em 2025.Desde maio de 2023 que o número de pessoas a aguardar por uma cirurgia nos Açores é superior ao registado no período homólogo.A 24 de março, numa visita ao Hospital da ilha Terceira, os deputados do
PS alertaram que, só nesta unidade – a segunda maior da região –, nos
últimos cinco anos, “o número de doentes inscritos para cirurgia
aumentou de cerca de 1.900 para 3.100” e que o tempo médio de espera
“subiu de cerca de 300 para 430 dias”.Esta quinta-feira, a titular da pasta da Saúde do Governo dos Açores adiantou que, em março, houve um aumento de utentes operados e uma
redução do tempo de espera neste hospital.“Desde
2022, o mês de março de 2026 foi o melhor mês do ponto de vista da
atividade cirúrgica”, frisou, acrescentando que, neste mês, foram
operados 344 doentes no HSEIT, mais 19% do que no período homólogo.Ainda
assim, segundo a governante, “houve um aumento considerável do número
de inscritos”, justificado, em parte, pela deslocação de médicos
especialistas a ilhas sem hospital.“Isso
dá-nos também aqui algum alento no sentido de que as listas estão a
aumentar, mas também, por outro lado, estamos a melhorar a
acessibilidade ao Serviço Regional de Saúde”, salientou Mónica Seidi.A
governante iniciou uma ronda de reuniões com os conselhos de
administração dos hospitais e com os diretores dos blocos operatórios
para tentar perceber como podem ser otimizados.“Até
o doente chegar à sala de operações há todo um circuito que é criado e
que pode ser otimizado por forma a reduzir tempos de espera até ao
início da cirurgia e naturalmente rentabilizar mais os blocos
operatórios”, apontou.A titular da pasta
da Saúde defendeu, por outro lado, que é preciso rever as listas de
espera para ter “números mais fidedignos”.“Estamos
a pedir que sejam revisitados os processos de alguns doentes pelos
clínicos. Infelizmente, temos doentes que já não têm indicação, por uma
data de fatores. Temos doentes que até estavam inscritos para a mesma
cirurgia com quatro ou cinco propostas diferentes”, explicou,
ressalvando que nenhum utente será retirado da lista de espera sem
indicação clínica.Mónica Seidi sublinhou
que, em 2025, a execução do programa Cirurge, que permite a realização
de cirurgias nos hospitais da região em horário extraordinário,
ficou "acima dos 100%”.“O Governo Regional
disponibiliza todos os mecanismos financeiros (…), a par disto, é
importante entender a rentabilidade de cada bloco dos três hospitais da
região e dos recursos humanos disponíveis, porque também há efetivamente
carência de recursos humanos para podermos operar mais”, vincou.Quanto ao Vale Saúde, que permite que os utentes sejam operados no privado, nem sempre é aceite pelos utentes.“Posso
dar nota de algo que também aconteceu, neste hospital, no mês de março,
em que de 17 doentes elegíveis de uma certa especialidade para o Vale
Saúde, apenas quatro aceitaram ser operados fora do Serviço Regional de
Saúde”, revelou a governante.Questionada
sobre o aumento dos tempos de espera nas urgências do Hospital do Divino
Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Mónica
Seidi disse que “houve um pico de afluência” nos primeiros três dias
desta semana, por infeções respiratórias, o que “não seria expectável”
nesta altura do ano porque a época da gripe terminou no dia 31 de março.“Vamos
continuar a garantir que todos os utentes tenham efetivamente uma
resposta, sendo certo que houve [quarta-feira] um pico de afluência e um
aumento no tempo de espera para as pulseiras amarelas”, avançou.Mónica
Seidi disse que os utentes com indicação pouco urgente podem recorrer
também às unidades básicas de urgência, ao serviço de apoio complementar
da Lagoa, que disponibiliza consultas para situações agudas, entre as
08h00 e as 18h00, e ao Centro de Saúde de Ponta Delgada, que tem dois
médicos a prestar um serviço de apoio complementar para situações
agudas.