Governo dos Açores diz que há proposta para fábrica de transformação de pescado no Pico
15 de mar. de 2021, 15:03
— Lusa/AO Online
“Está a ser considerada uma
proposta de investimento que ronda os dez milhões de euros e que
envolverá a criação de cerca de 150 novos postos de trabalho. De resto,
segundo este investidor, o mesmo já havia sido contactado pelo anterior
secretário regional da Ciência, Mar e Tecnologia, no verão de 2020”,
adiantou o secretário regional do Mar e das Pescas, Manuel São João,
numa conferência de imprensa na Câmara Municipal da Madalena, na ilha do
Pico.Em maio de 2018, a conserveira
Cofaco, dona do atum Bom Petisco, encerrou a fábrica da ilha do Pico,
despedindo 162 trabalhadores, com o compromisso de abrir uma nova
fábrica até janeiro de 2020, com capacidade inicial para 100
trabalhadores e a possibilidade de aumentar o efetivo até 250, mas o
projeto nunca avançou.Manuel São João
disse ter tido confirmação, no dia 04 de fevereiro, por parte do
administrador do grupo Cofaco, de que a empresa “tinha desistido do
projeto”, mas sublinhou que a decisão “já havia sido comunicada ao
anterior secretário regional da Ciência, Mar e Tecnologia” do Governo do
PS.O governante deduziu que se o
executivo açoriano já tinha contactado outra empresa interessada em
investir no Pico, no verão de 2020, sabia da desistência da Cofaco nessa
altura, mas não o revelou publicamente, em vésperas de eleições, nem
transmitiu essa informação ao novo executivo, de coligação PSD/CDS/PPM,
que tomou posse em novembro de 2020.“Na
pasta de transição entre governos nada foi referido em relação a um novo
investidor, nem na Secretaria Regional do Mar e das Pescas existe
qualquer documentação oficial sobre o assunto. Este Governo soube desta
intenção através do próprio interessado e só isso”, salientou.O
projeto de construção da nova fábrica, apresentado pela PDM –
Transformação e Comércio de Pescado, Lda., do grupo Cofaco, em 2017,
previa um investimento global de cerca de 6,8 milhões de euros, que
seria candidato a fundos comunitários, no âmbito do Plano Operacional
Mar 2020.Manuel São João disse que o novo
executivo “desenvolveu contactos junto de potenciais investidores que,
de algum modo, pudessem estar interessados num investimento de idêntica
natureza”, uma vez que os prazos para execução de projetos do Plano
Operacional Mar 2020 estão “circunscritos ao final de 2022”.“Tendo
em conta a salvaguarda dos interesses da região no aproveitamento das
verbas disponibilizadas pelo PO Mar 2020, entende a Secretaria Regional
do Mar e das Pescas que se devem envidar todos esforços para alcançar
acordo com o investidor, dentro dos trâmites legais, garantindo uma mais
valia para o setor económico regional, em particular da ilha do Pico”,
afirmou.O deputado socialista Miguel
Costa, eleito pela ilha do Pico, já tinha revelado, no sábado, em
comunicado de imprensa, que o anterior Governo Regional tinha iniciado
contactos com vista à instalação de um projeto alternativo à fábrica da
Cofaco.Anunciou ainda a apresentação de um
requerimento, no qual questionava o atual executivo sobre o ponto de
situação destas negociações.O secretário
regional do Mar alegou, no entanto, que se reuniu com os quatro
deputados regionais eleitos pelo Pico no dia 03 de março, tendo
transmitido o ponto de situação do processo, e que não recebeu “qualquer
comentário sobre o assunto” por parte de Miguel Costa.O
governante acusou o anterior executivo, liderado por Vasco Cordeiro, de
não ter salvaguardado os interesses da região, alegando que “entre a
comunicação do anterior governo a um potencial investidor até ao dia de
hoje passaram sete meses”, tempo que considerou “crucial para a
realização ou não de um investimento de muitos milhões de euros”.“Não
foi o promotor que enganou os picoenses. O Governo anterior pode-se ter
sentido enganado, mas quem enganou os picoenses foi o Governo
socialista, que foi coveiro e cangalheiro neste processo”, acusou.