Governo dos Açores diz que garantia bancária para 'lay-off' é imposição legal
Covid-19
20 de mai. de 2020, 09:15
— Lusa/AO Online
Sérgio Ávila
referiu que nem o executivo açoriano nem o parlamento regional têm
competência para terminar com a obrigação desta medida e considerou que a
garantia bancária “não gera qualquer custo para as empresas”.O
número dois do Governo Regional intervinha na sessão da Assembleia
Legislativa Regional dos Açores, realizada em suporte ‘online’, e
pronunciava-se sobre a medida proposta pelo PSD/Açores que recomendava
ao executivo a simplificação administrativa de candidaturas das empresas
às medidas regionais de apoio no âmbito da Covid-19.A
iniciativa dos social-democratas, chumbada pela maioria socialista,
contemplava que a “aplicação do princípio transversal de que as
empresas, por termo de responsabilidade, assumem o cumprimento dos
requisitos legais exigíveis” e eliminava a obrigatoriedade de
apresentação de qualquer garantia bancária, “independentemente do valor
dos apoios”.Sérgio Ávila declarou que a
imposição de garantia bancária apenas abrange as médias e grandes
empresas, que representam, segundo declarou, 1% das candidaturas do
complemento regional de ‘lay-off’.O
deputado do PSD/Açores, António Vasco Viveiros, que apresentou a
proposta, declarou que estas empresas revelam “dificuldades em obter
garantias bancárias”, tal como foi apontado pelos parceiros sociais e
banca.O parlamentar salvaguardou que esta
proposta prevê a extensão da medida a novas iniciativas que venham a ser
criadas, além do complemento regional de ‘lay-off’.O
deputado adiantou que o Governo Regional “tem mecanismos legais” para
ser ressarcido das verbas no caso de empresas que não cumprem com o
objetivo de manutenção de postos de trabalho, até final do ano. Sérgio Ávila referiu que a garantia bancária é a medida “mais eficaz possível” para salvaguardar a posição da região.Carlos
Silva, da bancada socialista, disse que "qualquer simplificação de
candidaturas é bem-vinda", mas não pode ser acompanhada por "menos
rigor", nem a responsabilidade "pode ser dispensável", o que é
assegurado pela garantia bancária, cujos custos são elegíveis para
apoios públicos, em termos de despesa.O
deputado centrista Alonso Miguel, cujo partido votou a favor da proposta
do PSD/Açores, subscreveu a necessidade de abolir as garantias
bancárias, que podem ser um "entrave e fator de instabilidade", embora
salvaguardando a meta de garantia de emprego da medida governamental.António
Lima, do BE/Açores, votou favoravelmente a proposta social-democrata,
salvaguardando a necessidade de simplificar o acesso das empresas ao
complemento regional de 'lay-off', sem que este seja deixe de ser
acompanhado de rigor e manutenção dos postos de trabalho.O
deputado do PCP João Corvelo absteve-se, tal como Paulo Estevão, do
PPM, que considerou a garantia bancária um "instrumento importante" para
manter o emprego, não tendo "ficado provado que os interesses da região
estejam protegidos" sem esta garantia. O
Governo dos Açores anunciou a30 de março a criação de um complemento
regional ao 'lay-off' simplificado para fazer face aos impactos
negativos económicos da pandemia da Covid-19.Com
o complemento regional ao 'lay-off' simplificado para a manutenção de
emprego, a região assume a quase totalidade da componente do vencimento
dos trabalhadores que, no resto do país, é assumida pelas empresas,
sendo a contrapartida das empresas manter os postos de trabalho até
final do ano.A medida permite que as
empresas reúnam “todas as condições para não procederem a despedimentos”
durante os próximos três meses, bem como não recorram “a linhas de
crédito bancário para assegurar os vencimentos dos seus funcionários”.