Governo dos Açores diz que fez tudo para abastecer as Flores mas PS critica “incompetência”
17 de fev. de 2023, 05:59
— Lusa/AO Online
O
projeto de resolução da coligação que integra o Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) foi aprovado pelos proponentes, pelo BE, Chega, PAN e
deputado independente, tendo PS e IL votado contra, durante o plenário
da Assembleia Regional que decorreu esta semana na Horta.A
iniciativa socialista contou com os votos favoráveis de PS, PSD,
CDS-PP, BE, PPM, Chega, PAN e deputado independente e o voto contra de
IL.Na terça-feira, à margem dos trabalhos
parlamentares, o governo açoriano anunciou que vai voltar a fretar o
navio “Margarethe”, um porta-contentores com bandeira de Antígua, para
garantir o transporte de mercadorias para as Flores, cujo porto
comercial foi destruído em 2019 pelo furacão Lorenzo.Na quinta-feira,
a secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas reconheceu a
“precariedade de abastecimento” devido ao agravamento da situação
provocado pela tempestade Efrain (que passou pela região em dezembro de
2022).“Pusemos à disposição da ilha todos os meios que estavam ao alcance do Governo dos Açores”, afirmou.Berta
Cabral insistiu que o executivo fez “tudo o que podia”, antes de ter
ficado “provado de que só um navio fretado e dedicado” apenas à ilha
podia permitir o abastecimento, acreditando que o novo navio vai
“devolver normalidade” às Flores.O líder
parlamentar do PS/Açores, Vasco Cordeiro, acusou o Governo Regional de
fazer “asneira atrás de asneira” e pediu explicações sobre a construção
do molhe daquele porto.“Este debate acontece em larga medida pela incompetência, pela incapacidade e pela arrogância do Governo Regional”, criticou.O
socialista, que presidiu ao Governo Regional entre 2012 e 2020, realçou
que o contrato do navio "Margarethe" só acabava em janeiro de 2023, mas
que o atual executivo prescindiu dos serviços em outubro.“Não
teve a decência política de tirar um dia para ir às Flores ver o que se
passava. Teve de vir o ministro das Infraestruturas do Governo da
República para a senhora se dignar a ir lá”, afirmou Cordeiro,
dirigindo-se à secretária regional.Na
resposta, Berta Cabral assegurou que a construção do molhe principal vai
ser feita por concurso público, enquanto o secretário das Finanças,
Duarte Freitas, classificou o líder socialista de “pai, filho e Espírito
Santo da arrogância nos Açores”.Paulo
Estêvão, do PPM, acusou o Governo da República de “tentar asfixiar
economicamente” o Governo Regional, enquanto o centrista Rui Martins
advogou que Vasco Cordeiro “não tem autoridade moral” para criticar o
executivo.O liberal Nuno Barata pediu ao
governo açoriano para pedir desculpas aos florentinos, enquanto o
parlamentar do Chega, José Pacheco, classificou o debate de um
“arraial”.O parlamentar do PSD Ricardo
Vieira recusou entrar no “jogo político de quem fez e quem não fez”,
enquanto António Lima, do BE, considerou que o Governo Regional tem
“sido parte do problema”, criticando a demora do executivo em agir.O
projeto de resolução de PSD/CDS-PP/PPM, além de defender o fretamento
de um navio, apela ao Governo da República para decretar a situação da
calamidade nas Flores para criar um “regime simplificando de contratação
pública”.O PS recomenda a utilização do
ajuste direto para a concretização da obra de emergência de proteção de
ponte-cais, a criação de um apoio extraordinário para o setor privado da
ilha, a isenção das taxas portuárias e aeroportuárias e a criação de um
regime que “priorize” a mercadoria com origem ou destino às Flores.