Governo dos Açores diz que está a estudar apoio à natalidade proposto pelo Chega
2 de jun. de 2022, 14:56
— Lusa/AO Online
“A sua medida [do
deputado do Chega] está a ser estudada. Está a ser estudado como a vamos
implementar. Vamos dar condições à classe média e ajudar todos com
equidade. O que não aceito são ameaças”, afirmou Artur Lima,
vice-presidente do Governo dos Açores, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, com
quem o Chega tem um acordo de incidência parlamentar.No
plenário da Assembleia Legislativa Regional, na Horta, ilha do Faial, o
vice-presidente do executivo e líder do CDS-PP/Açores notou que “este é
um Governo que assume os compromissos com os seus parceiros”, depois de
o deputado do Chega, José Pacheco, criticar que continue “na gaveta” o
apoio à natalidade “até 1.500 euros por nascimento” para “quem não
recebe qualquer prestação social”.Pacheco
censurou o “pai tirano que não trata os filhos por igual” para lamentar a
falta de avanços na medida apresentada pelo Chega como condição para
viabilizar o Orçamento Regional de 2022, num parlamento em que os
partidos do Governo representam, juntos, 26 deputados, precisando de
mais três votos para assegurar a maioria absoluta.No
início da legislatura, a coligação PSD/CDS-PP/PPM assinou ainda um
acordo de incidência parlamentar com o Chega e com o deputado
independente Carlos Furtado (ex-Chega), ao passo que o PSD fez o mesmo
com a IL.“Defendemos, no Orçamento, um
apoio até 1.500 euros para quem não recebe qualquer benesse social.
Repare-se que não tivemos o intuito de retirar qualquer apoio aos
beneficiários de rendimentos sociais. Antes queremos apoiar quem nada
recebe”, explicou o deputado do Chega.Para
José Pacheco, esta é “mais uma boa medida guardada na gaveta”: “Quem
perde são os açorianos, que confiavam numa mudança”, afirmou.O
deputado da IL, Nuno Barata, destacou que “houve tempo e dinheiro para
uma série de medidas do Governo para combater a desertificação”, mas
“nem uma nesga de dedicação para resolver as reivindicações de um
parceiro de coligação”.“Quem incumpre com
os seus parceiros, dificilmente cumprirá com os açorianos. Isto não é só
com o Chega, é também com a IL”, observou.Dirigindo-se
a Pacheco, Artur Lima notou que “ainda ninguém disse” que o Governo
“não ia assumir” a medida defendida, defendendo lealdade entre
parceiros.“Uma das medidas já tomadas por
este Governo foi a descida de impostos, estrutural para fixar gente nos
Açores”, referiu, destacando ainda as poupanças das famílias açorianas
com as creches, devido às medidas do executivo para isentar de pagamento
as crianças até ao 13.º escalão.Para o vice-presidente, “não houve uma diminuição drástica da natalidade nos Açores”, antes houve “emigração”.Vasco
Cordeiro, ex-presidente do Governo Regional e deputado do PS,
referiu-se à moção global de estratégia aprovada no sábado no congresso
do partido, assinalando que coloca a “sustentabilidade demográfica” com
“um dos grandes desafios” da região.“Tão
ou mais importante como a medida que o Chega enunciou é a
disponibilidade de serviços e políticas públicas que atraiam residentes
aos vários territórios; são as acessibilidades que podem fazer com que
viver nesses territórios possa não se traduzir num encargo acrescido; é o
desenvolvimento económico, a garantia de um bom emprego, e
qualificado”, sustentou.Pelo BE, António
Lima censurou a proposta do Chega, em que “os pobres ficam de fora dos
apoios e nem têm direito a ter filhos”, acusando o Governo e aquele
partido de andarem “num jogo de sombras”.“O
Chega não apresentou nenhuma proposta no Orçamento. Esta é uma fraude
política de quem governa a região. Resta saber até quando”, sublinhou.Os
deputados do PSD, do CDS-PP e do PPM elogiaram os passos dados pelo
atual executivo na criação de habitação a preços acessíveis, no emprego
estável e na redução das mensalidades das creches.