Governo dos Açores diz estar em curso terceira versão de plano de reestruturação da SATA
25 de nov. de 2021, 15:04
— Lusa/AO Online
A
informação foi adiantada no parlamento açoriano por Joaquim Bastos e
Silva, antes de se discutir, na especialidade, a proposta de alteração
ao Plano Regional Anual para 2022, feita pelos partidos da coligação de
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) com vista a reduzir o endividamento em
18 milhões de euros na rubrica da “reestruturação e concessão de
transporte aéreo de passageiros, carga e correio interilhas”.“Vamos
formular uma terceira versão do plano de reestruturação, para
concretizar no mais curto espaço de tempo. Logo que haja essa versão, o
presidente [do Governo Regional] a terá e distribuirá pelos deputados”,
explicou o governante.Bastos
e Silva indicou que houve uma reunião este mês na qual “foi possível
esclarecer algumas matérias que facilitaram uma mudança de posição
quanto ao futuro e à forma como é concretizada a reestruturação” da
companhia aérea.Em
causa está uma “alteração societária” do grupo SATA, que “passa por
constituir, de novo, quatro empresas e uma SGPS [sociedade gestora de
participações sociais]”.“No fundo, é a reconstituição do grupo SATA, vista como uma solução muito virtuosa”, explicou.Bastos
e Silva indicou ainda que a Direção-Geral da Concorrência da União
Europeia deu conta da “possibilidade de substituir injeções de capital,
sempre difíceis, por absorção de dívida”.No
debate interveio também o vice-presidente do executivo, Artur Lima (do
CDS-PP), para questionar o deputado Carlos Silva, do PS, sobre se
confirmava “que a dívida da SATA, no fim de 2020, eram mais de 300
milhões de euros”.“Porque
é que este governo teve de fazer um plano de reestruturação da SATA?
Devido à nossa ou à vossa gestão?”, questionou ainda, referindo-se à
governação socialista do arquipélago, que terminou no ano passado, após
mais de 20 anos no poder.“Estamos
a fazer cuidadosamente um plano de reestruturação porque herdamos
verdadeiramente uma gestão desastrosa, onde a SATA já se tinha
despenhado em falência técnica”, frisou.António
Lima, do BE, considerou que a redução de 18 milhões de euros no
endividamento para a área dos transportes significa que o Governo
Regional “ou está a ceder aos parceiros [políticos], nomeadamente ao
Chega, ou a preparar o caminho para o fim da SATA Internacional”.A
SATA Air Açores é a responsável pelas ligações aéreas entre as várias
ilhas do arquipélago e a Azores Airlines, também conhecida por SATA
Internacional, liga a região autónoma com o exterior.Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, reiterou a “preocupação com a ausência de apresentação do plano de reestruturação da SATA”.“Faz
todo o sentido que não seja injetado este capital na SATA neste
momento. Ainda nem conhecemos resultados operacionais do segundo
semestre. Se continuar no mau caminho, não contem com a IL para
continuar a injetar dinheiro na SATA para pagar prejuízos operacionais. O
passivo vai ser pago por todos nós. É preciso travar essa sangria”,
alertou.Pedro
Neves, do PAN, afirmou concordar com a redução do endividamento
dirigido à SATA, “mas só quando conhecer os números [do plano de
reestruturação]”.O deputado Carlos Silva disse que o PS “não pode aceitar que se corte no financiamento da SATA”.“Não
faz sentido que governo diga que pretende salvar a SATA e, numa
tentativa de manutenção no poder, cede à chantagem de alguns partidos
reduzindo verbas para a SATA”, observou.João
Bruto da Costa, do PSD, acusou o PS de “ter um grau de desfaçatez
gigantesco, quase do tamanho do buraco que deixaram na SATA”.“Ouvi
o PS dizer que quer salvar a SATA. Salvar a SATA de quem? Da política
que os senhores desenvolveram e trouxe a SATA à situação calamitosa de
falência em que a deixaram?”, questionou.José
Pacheco, do Chega, alertou para a existência de duas SATA – “a que
serve os açorianos”, e que é “fundamental”, e depois a que “é o calote
no meio da sala” – a SATA Internacional.“Não
me dá gosto ter de fechar uma empresa desta dimensão. Mas, se a SATA
Internacional continuar por este caminho, a SATA inter-ilhas vai de
arrasto. Se for, perdemos a nossa mobilidade”, indicou.Catarina Cabeceiras, do CDS-PP, criticou o BE por tentar “diminuir os outros deputados”, dizendo que “estão a ser enganados”.“Só o BE, do alto da sua superioridade intelectual, é que consegue ver tudo”, ironizou.Paulo Estêvão, do PPM, pediu que a SATA não seja utilizada “como arma de arremesso eleitoral e política”.A 10 de novembro, o presidente da companhia aérea disse acreditar que a
Comissão Europeia vai aprovar o plano de restruturação até ao final do
ano.A
Comissão Europeia autorizou, em 2020, um auxílio de emergência de 133
milhões de euros, tendo autorizado mais tarde um novo apoio no valor de
122,5 milhões de euros.