"Governo dos Açores deveria fazer reflexão profunda sobre implicações do Brexit"
24 de set. de 2019, 18:04
— Lusa/AO Online
"Não
um plano de emergência porque não existe aqui uma influência marcante
do Reino Unido nos Açores, mas é bom sempre precaver e ter uma
compreensão clara de todas as interligações que existem na economia”,
declarou o também empresário.Mário Fortuna
falava aos jornalistas à margem da iniciativa "Oportunidades e Desafios
para as PMEs", realizada em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel,
organizada pela AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo
de Portugal, com a colaboração da Câmara de Comércio e Indústria dos
Açores, da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, e da Direção
Geral da Atividades Económicas do Ministério da Economia.Para
o dirigente empresarial, o Governo dos Açores pode influenciar o
Governo da República relativamente ao que o país deve fazer para
minimizar impactos, e é neste sentido que "deve atuar”, exigindo-se
neste momento informação sobre a matéria. O
professor universitário explicou que a economia dos Açores pode vir a
sofrer com o ‘Brexit’ não por via direta, mas indireta, resultante da
sua integração no contexto nacional.Mário
Fortuna considerou que “as consequências diretas não são muito
evidentes” porque, de fato, não “há grandes relações diretas com o Reino
Unido”, mas existem “muitas ligações diretas com o nosso país” que
podem influenciar, uma vez que a economia açoriana está “altamente
integrada na nacional”, que possui “muitas relações económicas” com o
Reino Unido.Para os empresários, é
importante apurar quais os impactos do ‘Brexit’ no país, porque “o que
se se passa a nível nacional claramente influencia o que se passa nos
Açores”.O economista refere que mais do
que preparadas para o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia,
as empresas regionais, que se vão adaptar, na sua opinião, querem
“perceber de onde podem vir riscos potenciais, para reagirem”.O
professor universitário, que afirma estar apreensivo, considera que uma
forma de mitigar o ‘Brexit’ pode ser a abertura a novos mercados.Também
em declarações aos jornalistas, o secretário regional adjunto da
Presidência para as Relações Externas, Rui Bettencourt, disse que em
função dos acordos comerciais que venham a ser estabelecidos entre o
Reino Unido e a União Europeia, “as dificuldades que possam ter muitos
exportadores de bens alimentares, de queijo e manteiga, para a Grã
Bretanha, pode fazer com se abram oportunidades de negócio para os
produtores açorianos”, que exportam para países terceiros como os
Estados Unidos e Canadá.Segundo um estudo
CIP, promovido por especialistas da Ernst & Young – Augusto Mateus
& Associados, no cenário mais otimista, o 'Brexit' terá um efeito
negativo de 15% nas exportações portuguesas para o Reino Unido. As
perdas potenciais poderão, no entanto, chegar aos 26%, num cenário mais
negativo, em que não exista qualquer acordo entre o Reino Unido e a
União Europeia, estimando-se um impacto negativo entre 0,5% e 1% no PIB
nacional.