Governo dos Açores defende que arquipélago seja abrangido pelo reforço de investimento em Defesa
8 de abr. de 2025, 14:55
— Lusa/AO Online
“É importante que o reforço
de investimento no setor da Defesa, já anunciado pela Comissão
Europeia, tenha nos Açores uma forte expressão considerando a mais-valia
do seu posicionamento geoestratégico no que concerne ao Espaço e ao
Oceano Atlântico, fixando no Atlântico Norte infraestruturas de
monitorização, logísticas e de resposta avançada”, lê-se num memorando, a
que a Lusa teve acesso.O documento, em
que o executivo açoriano elenca medidas prioritárias para o arquipélago,
foi entregue pelo presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), José
Manuel Bolieiro, na Conferência dos Presidentes das Regiões
Ultraperiféricas, que decorre na Ilha da Reunião.O
executivo sublinha que os Açores, localizados no Atlântico Norte,
“desempenham um papel crucial na projeção de poder e na defesa do espaço
euro-atlântico”, destacando a relevância da Base das Lajes, na ilha
Terceira, “para os interesses estratégicos dos Estados Unidos e dos
aliados ocidentais”.“Além disso, o
arquipélago assume crescente relevância no domínio da vigilância
marítima e do controlo de rotas comerciais. Assim, os Açores continuam a
ser um ativo estratégico essencial para a estabilidade euro-atlântica e
a resposta a crises internacionais”, realça.O
Governo Regional insiste na necessidade do reforço da Política de
Coesão para as regiões ultraperiféricas, alertando para o “risco real de
marginalização num próximo quadro financeiro, onde tudo aponta para um
modelo de financiamento que poderá centralizar mais decisões e
recursos”.“Precisamos de um Quadro
Financeiro que não apenas continue, mas amplie o apoio que recebemos,
com uma abordagem integrada, que considere as características singulares
das nossas regiões”, vinca, apelando a uma” maior flexibilidade nos
programas da União Europeia” com medidas específicas que respondam às
necessidades das RUP.O memorando defende
um “apoio reforçado e direcionado para promover o investimento nas novas
economias emergentes na Região Autónoma dos Açores”, destacando a
economia azul, a economia espacial e as novas tecnologias da
comunicação.“Os Açores, com os seus
recursos naturais únicos e a sua posição estratégica, têm um enorme
potencial para liderar nestes setores, mas necessitam de um maior apoio
financeiro e institucional para superar os desafios específicos que
enfrentam”, lê-se no documento.O executivo
apela a que o arquipélago seja considerado como uma das regiões
prioritárias para integrar os “casos-piloto” que serão propostos pela
Comissão Europeia aos Estados-Membros em áreas já identificadas na
Bússola para a Competitividade da União Europeia.Outra
das prioridades do Governo Regional é a criação de um programa
POSEI-Transportes, tendo em conta a “dupla insularidade” do arquipélago,
afastado do território continental e fragmentado em nove ilhas, que o
torna “totalmente dependente do transporte aéreo de passageiros e do
transporte marítimo de mercadorias”.“É
fundamental a criação de um POSEI-Transportes, um mecanismo que garanta,
de forma perene e sem sujeição às conjunturas políticas, um adequado
serviço de acesso das RUP aos territórios continentais, e vice-versa,
bem como um adaptado sistema de acessibilidade que permita a livre
circulação de pessoas e bens dentro do território de cada região”,
sublinha.O executivo alerta para o
“desafio financeiro significativo” que representa o sistema de
transportes nos Açores e defende que no próximo período de programação
haja um reforço da componente “Alocação Específica para a
ultraperiferia” e que os fundos estruturais comparticipem “investimentos
na beneficiação, manutenção e capacitação de infraestruturas portuárias
e aeroportuárias”, para torná-las “mais resilientes às alterações
climáticas”.O memorando refere ainda a
necessidade urgente de substituição do anel de cabos submarinos
inter-ilhas e pede a restauração do POSEI-Pescas, o reforço do orçamento
do POSEI-Agricultura, a alocação de recursos financeiros adequados para
as políticas ambientais e o financiamento europeu da transição
energética.No âmbito da revisão intercalar
da legislação que integra o pacote “Fit for 55”, que visa reduzir em
pelo menos 55% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030, o
executivo alerta que a sua implementação “não deve colocar em risco o
abastecimento contínuo de produtos básicos à Região Autónoma dos Açores,
nem inviabilizar a acessibilidade aérea de residentes e visitantes”.