Governo dos Açores declina responsabilidade pelo armazenamento do atum
22 de ago. de 2025, 10:13
— Lusa/AO Online
“Eu
fico muito contente de saber que temos os entrepostos frigoríficos dos
Açores cheios! Não tendo capacidade, neste momento, para armazenar mais!
Só nos resta pedir aos empresários que façam a concertação do que fazer
neste momento, porque o Governo não tem mais capacidade de dar
resposta”, admitiu o governante, em declarações aos jornalistas, na
cidade da Horta.Mário Rui Pinho respondia
assim às críticas feitas pelo deputado do PS à
Assembleia Legislativa dos Açores, Gualberto Rita, que considerou haver
uma “total descoordenação” entre o Governo dos Açores, a Lotaçor, os
armadores e a indústria, para tentar resolver o problema da falta de
capacidade de armazenamento do atum, que estará a “comprometer a safra”.“Esta
total descoordenação entre o Governo Regional, a Lotaçor, os armadores e
a indústria está a comprometer seriamente o armazenamento do pescado e
os rendimentos dos pescadores açorianos durante a safra do atum bonito”,
lamentou o parlamentar socialista, numa nota informativa enviada às
redações.Para Gualberto Rita, as
frequentes contestações dos pescadores açoriana resultam, em grande
medida, da “ausência de um planeamento estratégico adequado” e, também,
do “desconhecimento generalizado sobre o funcionamento da safra nos
Açores”.O secretário regional do Mar e das
Pescas lembra que não é o Governo que tem obrigação de disponibilizar
meios para armazenar e congelar todo o pescado capturado nos Açores, e
lembrou que "sempre é melhor os entrepostos frigoríficos [estarem
cheios], do que estarem vazios".“Se nós
temos os entrepostos cheios, significa que capturámos muito peixe,
significa que fomos capazes de armazenar na totalidade das nossas
capacidades. Resta saber se a gestão financeira dos armadores foi bem
feita”, frisou o governante.A bancada do
PS no parlamento açoriano entende, porém, que a situação que hoje se
vive na região contrasta com anos anteriores, em que, “mesmo com volumes
muito superiores de pescado”, foi possível assegurar condições de
descarga e escoamento sem as atuais dificuldades.Mário
Rui Pinho disse, por outro lado, ter ficado "perplexo" com as notícias
divulgadas pela RTP/Açores sobre a devolução ao mar, por parte dos
pescadores da ilha Terceira, de grandes quantidades de alfonsim,
alegadamente capturadas acidentalmente, que não chegaram a ser
trazidas para terra, para não sobrecarregar as quotas atribuídas àquela
espécie.O titular da pasta do Mar nos
Açores admite não ter gostado de ver peixe morto a boiar em águas
açorianas e adiantou que a Inspeção Regional das Pescas (IRP) "não terá
outra alternativa", a não ser abrir um inquérito aos armadores
envolvidos.“Fazer a demonstração pública
de matéria de pesca ilegal é confrangedor. Os senhores armadores sabem
que é proibido, por regulamento comunitário, as rejeições ao mar, e,
portanto, [ao] demonstrá-lo só estão a pedir que a Inspeção Regional das
Pescas abra um inquérito”, frisou o governante.Mário
Rui Pinho admite que a pesca acidental é um problema difícil de
resolver, tanto nos Açores como no resto da Europa, por causa das
limitações impostas pelas quotas, e sugeriu, por isso, que o peixe fosse
utilizado para alimentação ou para isco, mas nunca deitado fora.