Governo dos Açores critica ERSE pelo aumento do preço da energia na região
30 de mar. de 2023, 08:41
— Lusa/AO Online
“Não
faz sentido os aumentos que existiram nos Açores em 2023. Nós não
tivemos culpa de, em 2022, não termos tido aumentos na energia por
estarmos num mercado regulado”, defendeu o secretário das Finanças,
Duarte Freitas, em declarações aos jornalistas, em Ponta Delgada.O
governante afirmou que a “90% das empresas do continente português está
no mercado não regulado” da energia, o que levou a um aumento dos
preços em 2022, ao contrário do que aconteceu nos Açores, uma vez que a
região encontra-se no mercado regulado.“No
plano nacional, as empresas tiveram maiores gastos energéticos e
transferiram para os consumidores. No caso dos Açores isso não se passou
em 2022 e a ERSE entendeu em 2023 passar aquilo que chamei de uma multa
aos Açores por estarmos num mercado regulado”, salientou.Duarte
Freitas falava após ter sido questionado pela posição da Câmara do
Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), que considerou que
"existem condições objetivas" para uma redução "muito mais
significativa" do tarifário da eletricidade, contestando a
"insignificante" descida anunciada pela entidade reguladora.“Esperamos
que brevemente a ERSE consiga fazer repercutir nos Açores
verdadeiramente aquilo que é o mercado atual dos preços da energia”,
afirmou o secretário regional.A ERSE –
Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos anunciou recentemente uma
redução na tarifa da eletricidade na ordem dos 3% para os consumidores
de Média Tensão (MT) e de Baixa Tensão Especial (BTE), com efeitos a
partir 01 de abril.Em comunicado, a Câmara
do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considerou a redução anunciada
"insignificante" face "ao aumento brutal, superior a 80%, que se
verificou em janeiro".Questionado sobre os
apoios criados na Madeira devido ao aumento do preço da energia, o
secretário das Finanças do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) lembrou
que a “Madeira pediu à Comissão Europeia para fazer um auxílio de Estado
no valor de 25% da estimativa dos aumentos do tarifário”.“Nos
Açores, optámos por uma solução que penso que é mais inteligente e
inovadora. Não fomos pedir auxílios de Estado e desenhámos um programa
de apoio às despesas de funcionamento das empresas que se chama programa
Mais, que injetou nas empresas cerca de dez milhões de euros”, lembrou.