Governo dos Açores criou modelo de apoio ao emprego sem "adequada base legal"
9 de out. de 2019, 05:53
— Lusa/AO Online
A
entidade fiscalizadora das contas públicas, em relatório, refere que “com exceção dos apoios ao funcionamento do
mercado social de emprego, os programas de emprego foram regulados por
resolução do Conselho do Governo, sem indicação expressa das leis que
visam regulamentar ou que definem a competência subjetiva e objetiva
para a sua emissão”, o que "viola a Constituição".Em
2018, entrou em vigor nos Açores um novo modelo de políticas públicas
regionais de apoio à criação de emprego, que criou três novos programas
de apoio e procedeu à reformulação de programas existentes, visando a
“criação de emprego, redução do emprego precário, melhoria do rendimento
do trabalho e da qualificação do emprego”.O
TdC aponta que no capítulo das bases orientadoras das políticas
públicas regionais de emprego assiste-se à “ausência do Plano Regional
de Emprego” para o período 2016-2021, assim como à “falta de avaliação
das medidas anteriormente em vigor e de estudos de apoio à conceção do
modelo adotado”.O relatório do tribunal
conclui que o novo modelo de criação de emprego “tende a diminuir” os
postos de trabalho apoiados”, que foram 1.382, em 2018, menos 341 do que
em 2017, representando “apenas 43% do projetado pela Direção Regional
do Emprego e Qualificação Profissional”, muito embora se ressalve que o
resultado “possa ter sido influenciado por se tratar do primeiro ano de
vigência”.No capítulo da contribuição dos
apoios para a criação de emprego mais estável, verificou-se que o
programa ELP abrangeu, em 2018, 533 contratos de trabalho sem termo, o
que representa “apenas 39% do total aprovado, mas um significativo
aumento”, face a 2017, de 369 postos de trabalho.A
entidade recomenda ao Governo Regional que elabore e aprove o Plano
Regional de Emprego em “cumprimento da legalidade e da regularidade”.Segundo
o relatório, a Direção Regional do Emprego e Qualificação Profissional
deve criar “instrumentos de suporte à avaliação do desempenho das
medidas de fomento da criação de emprego na região mediante a
determinação dos indicadores a utilizar e das metas a atingir para cada
um dos programas de apoio à contratação e ao autoemprego ou para o
conjunto destes programas”.A diretora
regional do Emprego e Qualificação Profissional, Paula Andrade, declarou
à agência Lusa que em relação à falta da "adequada base legal” que
existem dois decretos legislativos regionais - 28 e 24 de 2010/A, de 22
de junho - que "têm servido de base" a todas as medidas de emprego nos
Açores."Tem sido com base neste último
decreto legislativo regional que temos suportado toda a intervenção. Ou
seja, as resoluções têm sido feitas em termos dos mecanismos de
acompanhamento à empregabilidade e do mercado do trabalho porque,
efetivamente, é o que melhor se adequa", refere a responsável, que
adianta que, na sequência desta resposta, "não há qualquer recomendação a
este nível" por parte do TdC.Paula
Andrade declara, em relação à ausência do Plano Regional de Emprego, que
"a situação já está a ser trabalhada e a proposta já está a ser
ultimada", devendo estar concluída "dentro em breve".