Governo dos Açores cria apoios para raças autóctones
30 de nov. de 2022, 15:50
— Lusa/AO Online
“Estamos a
analisar qual será o valor. É um apoio monetário para que se possa
incentivar a existência desta raça, como existem para outras raças”,
avançou, em declarações à Lusa, o titular da Agricultura e
Desenvolvimento Rural nos Açores, António Ventura.O
governante reuniu-se em Angra do Heroísmo com produtores da raça
de gado Catrina, a mais recente raça a ser reconhecida como autóctone
nos Açores.Os Açores têm já identificadas
seis raças autóctones: o cão Fila de São Miguel, o cão Barbado da
Terceira, o burro anão da Graciosa, o pónei da Terceira, o gado Ramo
Grande e o gado Catrina.Segundo António
Ventura, os produtores de gado do Ramo Grande já têm acesso a apoios
específicos por se tratar de uma raça autóctone, que serão agora
alargados à raça Catrina, ao pónei da Terceira e ao burro anão da
Graciosa.Em 2023, o executivo açoriano
pretende também criar um plano de orientação de estratégia para as raças
autóctones dos Açores, em colaboração com as associações de cada raça e
com a Universidade dos Açores.“Teremos de
ter uma linha de atuação, com objetivos a 10 anos, pelo menos, em que
possamos não só conservar as raças autóctones que já temos, como
clarificar o que vão ser os apoios e também criar investigação
relativamente a eventuais outras raças e espécies, quer de diversidade
animal como vegetal”, apontou.O gado
Catrina tem atualmente 64 animais registados, para produção de carne,
todos na ilha Terceira, mas o secretário regional da Agricultura
defendeu que a raça tem potencial de crescimento, sobretudo porque se
pode adaptar num cenário de alterações climáticas.“Esta
raça é uma raça de reserva, de diversidade animal, ajustada aos Açores,
às condições edafoclimáticas. Convém ter essa reserva ajustada, porque é
uma raça que se alimenta dos recursos endógenos e é uma raça que está
habituada ao frio e ao vento”, frisou.Para
além da produção de carne, a raça pode ser utilizada para produção de
leite e até na criação de um "circuito turístico", segundo António
Ventura."Interessa existir este
património, quer para mostrar a quem nos visita e mesmo às comunidades
locais, quer no âmbito didático", vincou.Filomena
Brasil herdou uma exploração de gado Catrina do tio João Ângelo, um dos
principais responsáveis pela manutenção da raça na ilha Terceira.“Decidi
continuar porque era um gosto do meu tio. Isso é que me fez seguir. Não
que eu estivesse muito por dentro disso, mas sempre fui criada a ouvir
falar naquelas vacas”, adiantou.Com 15
vacas atualmente, a exploração “tem vindo a crescer” e Filomena espera
que continue a evoluir, com apoios já dados a outras raças.Guilherme
Oliveira adquiriu há oito anos alguns animais da raça que conheceu na
exploração do avô. Hoje tem 16 cabeças de gado, mas também pretende
expandir a exploração.“É uma vaca
morfologicamente diferente, com um comportamento diferente, mais
temperamental. Sempre gostei deste tipo de gado”, revelou.O produtor reconheceu que o maneio desta raça é “mais difícil”, mas considerou que pode ser uma aposta no futuro.“Eu
penso que sim, quando se começar a ver as qualidades delas e os
benefícios que elas podem trazer a certas explorações nos Açores. É um
tipo de vaca que se alimenta com uma pastagem pobre, que vai buscar os
nutrientes todos que pode", afirmou.