Governo dos Açores contra o estatuto do bombeiro profissional
3 de set. de 2024, 10:28
— Lusa/AO Online
“O
impacto financeiro desta proposta será devastador para muitas das
associações, que são instituições que dependem de apoios públicos e
comunitários”, advertiu Alonso Miguel, secretário regional do Ambiente e
Ação Climática (que tutela a Proteção Civil), durante uma audição na
Comissão de Política Geral do parlamento açoriano, em Ponta Delgada.Segundo
o governante, a iniciativa do deputado único do PAN, que poderia ter um
impacto financeiro de 5 milhões de euros “apenas no primeiro ano”,
poderia também criar um outro problema, ao prever um “suplemento
remuneratório” que o executivo considera ser “discriminatório” para os
bombeiros voluntários.“Além disso, não é
possível impor um estatuto de bombeiros profissional às associações
humanitárias de bombeiros voluntários da região sem a alteração dos
atuais estatutos, circunstância que depende da vontade expressa dos seus
associados”, lembrou Alonso Miguel.Na sua
proposta de criação de estatuto de bombeiro profissional, o PAN
pretende também alterar a lei no sentido de permitir que os bombeiros se
possam reformar a partir dos 55 anos, mas o titular da pasta da
Proteção Civil alerta que “isso não é possível”.“Criar
a ilusão aos nossos bombeiros de que nós temos autonomia legislativa
para reduzir a idade da reforma para os 55 anos é sufismo puro!”, acusou
Alonso Miguel, lembrando que “matérias de direitos, liberdades e
garantias estão constitucionalmente reservadas à Assembleia da
República”.O Governo Regional entregou
também no parlamento açoriano uma proposta de adaptação à região do
regime jurídico dos bombeiros voluntários do território nacional, que
prevê benefícios sociais para os ‘soldados da paz’, além de um apoio
financeiro anual, para incentivar o voluntariado.“O
que propomos é a atribuição de um apoio anual, correspondente a 50% do
rendimento mínimo mensal garantido, a todos os bombeiros voluntários que
cumpram 200 horas de trabalho operacional em regime de voluntariado”,
justificou o governante durante a reunião com os deputados.Antes
do executivo regional, a Federação de Bombeiros Voluntários dos Açores
tinha feito fortes críticas à proposta do PAN, por considerar que o
diploma seria incomportável para as associações humanitárias da região.