Governo dos Açores contra eventual corte de 3ME de euros no programa POSEI
12 de nov. de 2019, 21:00
— Lusa/AO Online
“A
Comissão Europeia já disponibilizou um regulamento, que está em fase de
consulta, que assegura a transição entre quadros, positiva para os
primeiro e segundo pilares da Política Agrícola Comum (PAC). Contudo,
tem um aspeto que o Governo Regional não pode aceitar: foi considerado
no primeiro pilar que o orçamento que ficará disponível contempla a
redução de 3,9% considerada para o período 2021-2027”, declarou à
agência Lusa João Ponte.No caso específico
dos Açores, o primeiro pilar da PAC, que contempla ajudas diretas aos
agricultores, materializa-se no POSEI - Programa de Opções Específicas
para o Afastamento e a Insularidade nas Regiões Ultraperiféricas (RUP),
sendo o segundo pilar o desenvolvimento rural.O
titular da pasta da agricultura, que recebeu hoje, em Ponta Delgada, na
ilha de São Miguel, a nova direção da Associação de Jovens Agricultores
Micaelenses, liderada por César Pacheco, especificou que Bruxelas
entende que as verbas do primeiro pilar da PAC “serão distribuídas de
acordo com o orçamento que está definido neste momento”, que prevê um
corte de 3,9%.O ainda comissário europeu
da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, foi recebido em 28
de junho de 2018 pelo presidente do Governo dos Açores, a quem garantiu
que “não haverá cortes no programa POSEI” no âmbito do próximo quadro
financeiro plurianual para o período 2021-2027.João
Ponte afirma que, além deste compromisso, existem “consensos políticos
ao nível do Parlamento Europeu, e também de Estados-membros”, que
preconizam que “o corte seja revertido, mantendo-se a dotação (atual) do
POSEI”.Para o governante, é “importante
que a distribuição de verbas pelos agricultores nos Açores se faça em
2021 pela dotação atual” do POSEI, que é de 70,3 milhões de euros, sendo
este valor acrescido de 4,8 milhões provenientes do orçamento dos
Açores.Já em março de 2018, o secretário
regional da Agricultura e Florestas afirmou, em Lisboa, que o Governo
português deve defender, em Bruxelas, que a transição entre quadros
comunitários de apoio mantenha as atuais regras, para garantir o
pagamento das ajudas e apoios aos investimentos dos agricultores.“Em
relação à transição entre quadros, devo referir que o Governo português
deve defender um período de dois anos com as regras do atual quadro
comunitário de apoio da PAC”, declarou João Ponte, à margem da reunião
do Conselho de Acompanhamento da Revisão da Política Agrícola Comum.O
POSEI comporta o Regime Específico de Abastecimento (REA), destinado ao
abastecimento das regiões ultraperiféricas em produtos para o consumo
direto, alimentação animal e para a indústria de transformação, e outro
regime que estabelece as Medidas a Favor das Produções Agrícolas Locais
(MAPL), que visa garantir a manutenção e a viabilidade da atividade
agrícola.As regiões, através dos
Estados-membros, apresentam à Comissão Europeia um projeto de alteração
ao Programa POSEI, que anualmente, após a aprovação da Comissão, entra
em funcionamento naqueles espaços insulares.