Governo dos Açores considera "legítima" providência cautelar na Azores Airlines
Hoje 17:49
— Lusa/AO Online
“Tudo funciona com base nos
pressupostos. O Governo dos Açores defende o interesse dos Açores. O
conselho de administração da SATA defende os interesses da empresa. O
consórcio defende os seus interesses. É legitimo”, afirmou José Manuel
Bolieiro.O líder do executivo regional
(PSD/CDS-PP/PPM) falava aos jornalistas no Palácio da Conceição, sede do
Governo dos Açores, em Ponta Delgada à margem da apresentação da
Plataforma Nacional das Cozinhas do Mar, em Ponta Delgada.O
consórcio admitido na privatização da Azores Airlines disse que interpôs uma providência cautelar para suspender o
encerramento do concurso de privatização da companhia aérea açoriana e
alertou para o perigo de insolvência da empresa.Bolieiro rejeitou o cenário de insolvência da companhia de aviação e
considerou legítima a atuação do consórcio Atlantic Connect Group.“Entendem
que o júri, absolutamente imparcial e objetivo, o conselho
administração [da SATA] e a validação que o Governo [Regional] deu não
os convence da justeza e recorrem aos meios judiciais. Está tudo muito
bem, é assim que funciona o Estado de direito”, disse Bolieiro.O
presidente do Governo dos Açores insistiu no objetivo de assegurar o
cumprimento do plano de reestruturação do grupo de aviação açoriano, que
prevê a alienação da Azores Airlines, companhia aérea responsável pelos
voos entre o arquipélago e o exterior.“Estamos
a fazer (…) o esforço para recuperar um legado muito negativo e para
cumprir o plano de reestruturação da empresa que foi concertado com a
União Europeia. Por isso, [estou] de consciência tranquila e com um
objetivo declarado: o governo defende os interesses dos Açores. Ponto
final”.Questionado sobre se a providência
cautelar vai obrigar à suspensão do processo, José Manuel Bolieiro disse
que o assunto vai ser tratado no “plano jurídico e judicial”.“Verificaremos
quais são os contextos e os fundamentos da providência cautelar e,
naturalmente, o conselho de administração tem a sua consultadoria
jurídica. Tudo isso se fará nesse plano jurídico e judicial”, afirmou.O Atlantic Connect Group refere, em comunicado, que
interpôs uma providência cautelar “com o objetivo de suspender os
efeitos da decisão do conselho de administração da SATA que determinou a
exclusão da sua proposta e o encerramento do concurso de privatização
da Azores Airlines sem seleção de qualquer investidor”.O
consórcio acrescenta que o executivo açoriano de coligação
PSD/CDS-PP/PPM, “em vez de encontrar uma solução num processo que estava
em curso e que podia estar concluído até dezembro, escolheu abrir uma
nova via cujo desfecho não tem data prevista no curto ou médio prazo”.O
Governo Regional decidiu encerrar a anterior privatização da Azores
Airlines sem adjudicação, seguindo a recomendação do júri, que concluiu
que a única proposta admitida implicava “riscos inaceitáveis”, um acordo
parassocial que permitia reduzir a participação pública e uma equipa
menos experiente na aviação, segundo revelou a agência Lusa em 06 de
março.O consórcio Atlantic Connect Group
apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros
por 85% do capital social da Azores Airlines.O
executivo açoriano anunciou na quarta-feira que vai dar orientações à
SATA para iniciar um novo processo de privatização da Azores Airlines
através de negociação particular, decisão que resulta da “experiência
adquirida no procedimento anterior”.