Governo dos Açores cativa 25% das despesas não comparticipadas pela UE
3 de fev. de 2023, 18:56
— Lusa
A
orientação, enviada aos membros do governo (de coligação PSD, CDS-PP e
PPM) no dia 19 de janeiro, pelo diretor regional do Orçamento e Tesouro,
José António Gomes, é justificada com a necessidade de a região dar
prioridade aos investimentos que são financiados pela União Europeia.“Cada
departamento regional deve, sem prejuízo de outras medidas que se
venham a revelar necessárias num futuro próximo, proceder a um cativo de
gestão interna, […] cativando 25% das dotações de despesas de
investimento de 2023, em todas as ações sem financiamento através de
fundos comunitários”, pode ler-se na carta, a que a Lusa teve acesso.Questionado
sobre se esta orientação resulta de uma eventual redução das receitas
públicas, o diretor regional do Orçamento e Tesouro garantiu que não,
recordando que orientações semelhantes foram também tomadas em anos
anteriores, todas com o intuito de privilegiar as obras e medidas que
tenham apoio da comunidade europeia.José
António Gomes lembrou que a dotação do plano de investimentos de Governo
para este ano, no valor de 643,9 milhões de euros, é assegurada apenas
por “receitas efetivas”, e “sem recurso a endividamento”, o que torna
“fundamental” garantir “um adequado grau de execução das despesas”.“Uma
componente das receitas efetivas, absolutamente fundamental para
garantir um adequado grau de execução das despesas do plano de
investimentos, é a comparticipação por fundos da União Europeia”,
lembrou o diretor regional do Tesouro, recordando que, em 2023, estarão à
disposição da região “avultados meios financeiros” relacionados com os
programas operacionais 2020 e 2030 e ainda com o Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR).A orientação enviada a
todos os departamentos do Governo Regional sugere também que a
documentação sobre as candidaturas e os pedidos de pagamento ligados a
programas comunitários sejam apresentados “atempadamente”, para evitar
atrasos na receção dos apoios públicos.“No
caso de investimentos com cofinanciamento comunitário, cada
departamento do governo deve pugnar pela apresentação atempada e
documentalmente completa das candidaturas e dos pedidos de apagamento,
nomeadamente no que se refere ao cumprimento dos procedimentos de
contratação pública, que são, obrigatoriamente, prévios ao pagamento da
despesa”, adianta a orientação.A carta
dirigida a todos os membros do executivo refere também que é necessário
“contenção” e “controlo” nas despesas públicas, e apela ainda a que os
governantes desenvolvam esforços para “maximizar” a utilização de outros
fundos comunitários, “como forma de diversificar as receitas da
região”.