Governo dos Açores atribui 3.000 direitos para apoiar transição da produção leiteira para carne

Hoje 16:21 — Lusa/AO Online

De acordo com uma nota do executivo açoriano, a nova portaria estabelece a atribuição de 3.000 direitos individuais para o Prémio à Vaca Aleitante, no âmbito do POSEI [Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade], e visa a transição de explorações leiteiras para a bovinicultura de carne nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa.Para o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, a abertura deste período de candidaturas representa uma “oportunidade de reconversão para produtores que, por várias razões sociais e económicas, desde logo relacionadas com a avançada idade e com problemas de saúde, pretendam continuar a obter rendimento da exploração pecuária”.Citado na nota, António Ventura sublinha que a reconversão “possibilita a diminuição dos quantitativos produzidos nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, estabilizando as produções de leite e, como tal, a obtenção de melhores preços pagos aos produtores”.O governante destaca ainda a transição para a produção de carne como uma aposta segura e estratégica, lembrando que a produção de carne de bovino no território continental português “continua aquém das necessidades de consumo, na ordem dos 45%”, o que “evidencia uma forte margem de crescimento para o produto açoriano, contribuindo para o aumento do autoaprovisionamento alimentar nacional”.Ainda segundo o executivo açoriano, a medida concretiza um compromisso assumido entre o Governo Regional e a Federação Agrícola dos Açores, “alinhando as políticas públicas com as novas exigências económicas e ambientais do setor”.Para beneficiarem deste pacote, os produtores devem ter a sua localização fiscal nas ilhas abrangidas e ter efetuado entregas de leite em 2025 e 2026.São igualmente elegíveis as explorações sujeitas a sequestro sanitário, sendo excluídos beneficiários que já tenham recebido direitos ao abrigo de regimes anteriores, salvo situações específicas devidamente previstas.Como contrapartida estrutural, o apoio exige uma reconversão efetiva, obrigando ao abate de pelo menos 95% das fêmeas bovinas elegíveis até 31 de dezembro de 2027, bem como à regularização administrativa com o cancelamento do número de exploração.Para garantir a estabilidade do processo, os direitos agora concedidos são intransmissíveis até 31 de dezembro de 2032.O bolo global de 3.000 direitos será distribuído de acordo com a realidade produtiva de cada ilha: 2.173,1 direitos para São Miguel; 795,5 para a Terceira; e 31,5 para a Graciosa, explica o executivo, na nota divulgada.Em caso de a procura exceder a oferta, a Direção Regional do Desenvolvimento Rural aplicará critérios de prioridade, beneficiando, por exemplo, explorações com indicadores sanitários mais exigentes, menor volume de produção e fatores demográficos.O período de candidaturas decorre entre 01 e 30 de junho.Os produtores interessados devem submeter o formulário na plataforma oficial ou recorrer aos Serviços de Desenvolvimento Agrário da respetiva ilha.