Governo dos Açores apresenta propostas para as pescas à Comissão Europeia
23 de ago. de 2019, 14:53
— Lusa/AO Online
O
executivo regional fez chegar à Comissão Europeia, através das
secretarias regionais do Mar, Ciência e Tecnologia e das Relações
Externas, um conjunto de propostas, que incluem a proibição de capturas
de rinquim e um limite de 10% para a captura de tintureiras
relativamente às capturas de espadarte.No
documento, entregue no âmbito de um processo de consulta pública lançado
pela Comissão Europeia sobre as pescas para 2020, lê-se que “as medidas
previstas para as Regiões Ultraperiféricas devem salvaguardar as
especificidades do setor em cada território”, cita a nota de imprensa
enviada hoje.É, por isso, recomendado que
seja mantido um regime de exceção para a frota açoriana relativamente à
obrigatoriedade de desembarque da pesca acessória ou acidental, já que,
nos Açores, a pesca é praticada essencialmente com artes de anzol, com
poucas capturas acessórias e com alta capacidade de sobrevivência de
várias das espécies, além de que a dispersão territorial dificulta o
tratamento e armazenamento desse pescado.É
proposta também a extensão da proibição da utilização de estralhos de
aço na arte de palangre de superfície “a todas as embarcações que operam
e/ou descarregam na subárea Açores da Zona Económica Exclusiva
nacional”, uma medida que já é aplicada à frota regional e que permite
reduzir “as capturas de tubarões pelágicos na pescaria de espadarte e
potenciar o desenvolvimento de atividades emergentes, como o mergulho
com tubarões”. Relativamente aos tunídeos,
o Governo dos Açores defende a “discriminação positiva da pescaria por
salto-e-vara e a manutenção da quota estabelecida para a espécie voador e
para a espécie patudo”, e que não sejam fixados máximos de captura para
o bonito.O executivo propõe ainda, em
relação aos tunídeos, a atribuição de quotas plurianuais que considerem a
variação anual na ocorrência destas espécies, que permita acumular a
quota não consumida num ano e transpô-la para o ano seguinte.Quanto
ao goraz, é defendida a manutenção da possibilidade de captura e
recomenda-se que a contagem do consumo da quota seja feita entre abril e
março do ano seguinte, respeitando a dinâmica do mercado, já que
permite ter mais disponibilidade de quota “numa altura em que o preço do
goraz é mais elevado".Para os ‘Beryx’
(imperador e alfonsim), cuja quota é gerida internamente, pede-se um
aumento de 10% nas possibilidades de pesca e, ao peixe-espada preto,
deve ser atribuída a quota atual, defende o Governo Regional.O
executivo açoriano defende também a flexibilização do atual regime de
avaliação da capacidade da frota de pesca, o qual impõe restrições
pertinentes para embarcações que utilizem artes de arrasto, inexistentes
nos Açores, apontando para que os indicadores de capacidade sejam o
número de embarcações e a respetiva arqueação.