Governo dos Açores aposta na prevenção e gestão de resíduos
23 de out. de 2025, 15:51
— Lusa/AO Online
“É um documento
assertivo que apresenta uma evolução importante adequada à realidade
açoriana e adaptada às diretivas comunitárias”, sublinhou o secretário
regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel.O
governante foi ouvido em sede de comissão parlamentar de Assuntos
Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da
proposta de decreto legislativo regional n.º 28/XIII/1.ª, do Governo
Regional (PSD/CDS-PP/PPM), que “estabelece o regime geral de prevenção e
gestão de resíduos na Região Autónoma dos Açores”.Segundo
Alonso Miguel, trata-se de um documento que clarifica diversos
conceitos e definições, reforça instrumentos de planeamento e os
mecanismos de monitorização da política de gestão de resíduos e facilita
os procedimentos entre todos os intervenientes.Entre
as principais alterações, o secretário regional destacou o alargamento
da obrigação de recolha seletiva a novas tipologias de resíduos, como
biorresíduos, mobiliário, têxteis e resíduos perigosos e a imposição de
restrições e limitações à deposição em aterro e incineração de materiais
recolhidos de forma seletiva.“A proposta
inclui ainda um novo capítulo sobre lixo marinho e atualiza os
procedimentos de licenciamento e concessão das operações de gestão de
resíduos”, disse aos deputados Alonso Miguel, acrescentando que o
documento tem ainda especial enfoque no combate ao desperdício
alimentar.Outra alteração prende-se com a
revisão da estrutura tarifária dos resíduos urbanos, que deixará de
estar indexada ao consumo de água num prazo de cinco anos.De
acordo com o secretário regional, esta dissociação é essencial para
garantir "maior justiça e transparência", associando os custos à recolha
e tratamento de resíduos e não ao abastecimento de água. O governante disse ainda que se procede à clarificação dos requisitos ao nível do transporte de resíduos.Trata-se
do “culminar de um processo de revisão dos principais normativos em
matéria de prevenção e gestão de resíduos nos Açores”, realçou.o
secretário regional do Ambiente e Ação Climática destacou que o diploma
foi alvo de uma ampla consulta pública, tendo em conta que as
alterações “são muito significativas”, envolvendo as principais
entidades na área da prevenção e gestão de resíduos nos Açores.De acordo com Alonso Miguel, “todos os contributos manifestaram, de um modo geral, um apoio à aprovação desta proposta”.Alonso
Miguel assegurou que o diploma “reconhece as especificidades
geográficas e operacionais da região”, prevendo "medidas diferenciadas
por ilha, ajustadas à realidade" e “sem criar assimetrias entre ilhas
com ou sem incineradora, nem custos acrescidos".O
novo regime prevê igualmente instrumentos económico-financeiros que
promovem a prevenção, reciclagem e valorização, de acordo com os
princípios da economia circular.O
responsável lembrou ainda "o percurso muito positivo dos Açores" no
sentido de serem atingidas as metas definidas a nível comunitário e a
nível regional."Os resultados de 2024 são
diferenciadores e prestigiantes para a região. Em 2024, a taxa de
preparação para reutilização e reciclagem ascendeu aos 48%, deixando a
região muito próxima de atingir a meta de 55% que foi definida para
2025. Na ilha de São Miguel, por exemplo, essa taxa já está em 56%",
assinalou o secretário regional do Ambiente e Ação Climática.