Governo dos Açores aponta pagamentos na saúde e SATA para agravamento das contas
Hoje 15:00
— Lusa/AO Online
“O que faz
agravar a situação na passagem das contas na perspetiva da contabilidade
pública para contabilidade nacional são dois itens em especial. Tem a
ver, naturalmente, com os avales da SATA, em 2025 houve um conjunto de
avales da SATA no valor de 85 milhões de euros, e também o valor de
regularização de pagamentos em saúde”, afirmou, em declarações à Lusa.O
Instituto Nacional de Estatística revelou hoje que a necessidade de
financiamento da Administração Pública dos Açores em 2025 foi de 299,9
milhões de euros, tendo a dívida bruta (consolidada) atingido os 3.797,8
milhões de euros.O secretário das
Finanças, Planeamento e Administração Pública destacou, também, que o
endividamento líquido foi de 70 milhões de euros em 2025, apesar de o
Orçamento regional prever um endividamento até 75 milhões.Segundo
Duarte Freitas, o “agravamento das contas da contabilidade pública para
a nacional” está relacionado com um “menor endividamento líquido” face
ao previsto, à “transformação de dívida comercial em financeira de 150
milhões de euros” na saúde e aos avales à SATA.“A
SATA pressiona muito fortemente as finanças regionais e a saúde também.
A SATA está num processo de alienação. A saúde pressiona as contas nos
Açores e em todo o mundo”, acrescentou.O
titular da pasta das Finanças no Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM)
realçou, contudo, que a operação de transformação de dívida comercial em
financeira permitiu “recuperar pagamentos em atraso” e assegurar “mais
transparência”.“A 31 de dezembro de 2020
estávamos com 156 dias de pagamento a fornecedores, neste momento
estamos com menos 15 dias. Mas, ainda assim, muito influenciado pela
saúde, ainda temos de trabalhar nessa área porque retirando a saúde já
estamos apenas nos 43 dias de prazo médio de pagamentos”, revelou.Duarte
Freitas defendeu a necessidade de fazer um “esforço de injeção de
verbas na saúde” para atingir o compromisso do Acordo de Parceria com os
parceiros sociais e chegar ao “nível ideal” de pagamento a fornecedores
de 60 dias até 2028.O secretário regional
admitiu um défice acima dos 3% em 2025, mas realçou que ainda não
existem números do Produto Interno Bruto (PIB) para prever o rácio da
dívida e do défice.“Já em 2024, pela
incorporação da SATA, acabamos por ter o défice acima dos 3%. Este ano
de 2025, também com o peso da SATA, a que acresce a questão dos avales, a
expectativa é também que possa ficar acima dos 3%, mas não temos ainda
números provisórios sequer relativamente ao PIB de 2025”, disse.O
governante reconheceu também que o não cumprimento dos critérios de
Maastricht (défice de 3% e dívida não superior a 60% do PIB) preocupa o
Governo Regional, mas sinalizou o objetivo de “a prazo ter a situação
estabilizada”.Ainda de acordo com Duarte
Freitas, o Governo Regional continua a não concordar com a inclusão da
SATA no perímetro orçamental, encontrando-se a aguardar pela resposta
das autoridades estatísticas aos “argumentos” do executivo.Questionado
se os números podem dar razão ao PS, que alertou para a possibilidade
de um resgate financeiro, Duarte Freitas disse estar “consciente das
dificuldades” das contas públicas, mas voltou a rejeitar aquele cenário.“Qual
é a região do mundo ocidental que tendo a dívida pública no quadro dos
60% do PIB, as agências de notação a dar notações positivas, os mercados
financeiros completamente abertos e a procurarem-nos para emprestar
dinheiro, em que pudesse ser colocada sequer a hipótese de resgate? Não
existe”, acrescentou.Duarte Freitas
considerou igualmente que, “de tanto gritar resgate incorretamente,
podem acabar por prejudicar as notações das agências financeiras”.“Isso
é um péssimo serviço à região, não só aqui, como especialmente em
Lisboa. É mais um motivo para a região resistir”, salientou.