Governo dos Açores altera regras na venda de madeira para garantir sustentabilidade das florestas
21 de set. de 2022, 18:50
— Lusa/AO Online
“Nestes concursos, é
obrigatório que o comprador, durante três anos, faça a limpeza, a
rearborização e a manutenção da mata, numa lógica de sustentabilidade”,
afirmou o titular da pasta da Agricultura nos Açores, António Ventura, à
margem de uma visita a uma mata no Pico Gordo, na ilha Terceira.O
executivo açoriano lançou hoje um concurso público internacional para a
venda de seis lotes de madeira criptoméria na ilha Terceira, numa área
de cerca de 34 hectares, com um valor estimado de 28,4 mil metros
cúbicos de madeira e um preço base de 236,4 mil euros.Este
concurso integra já o novo modelo, ficando os compradores responsáveis
pela “reflorestação e manutenção das áreas cortadas”.Segundo
António Ventura, o novo modelo impõe também mais responsabilidades aos
serviços florestais, que, nos anos seguintes, são obrigados a fazer "os
desbastes e as desramas da madeira, para que a madeira tenha menos nós e
um diâmetro por tronco maior".“Com este
novo modelo de política pública, asseguramos sustentabilidade da
floresta pública e das nossas matas, asseguramos fornecimento de melhor
qualidade de madeira e asseguramos que área cortada seja área plantada”,
frisou.O secretário regional da
Agricultura e Desenvolvimento Rural destacou a importância do concurso
internacional lançado hoje para dar resposta às necessidades de
matéria-prima na ilha Terceira.“Este
concurso internacional tem uma particularidade. Uma vez que as
indústrias da Terceira precisam de matéria-prima, obriga a que a
primeira transformação seja feita na ilha”, adiantou.O
governante considerou que a indústria da madeira tem potencial de
crescimento nos Açores, avançando que no próximo quadro comunitário de
apoio será criada uma “ação específica com valores apelativos de
apoios”, para que se possam criar “cortinas de abrigo”.“Queremos
que, nas zonas médias e altas, possa haver uma apetência para que as
explorações pecuárias tenham cortinas de abrigo. As cortinas de abrigo
permitem neutralidade carbónica, permitem um melhor ciclo de água,
permitem evitar as erosões, permitem proteção aos bovinos e permitem que
nós aumentemos a nossa área de floresta e de madeira nos Açores”,
salientou.