Governo dos Açores alerta que porto de pesca da Caloura é “altamente deficitário”
28 de out. de 2025, 17:40
— Lusa/AO Online
Em
resposta a um requerimento do Chega/Açores, o executivo regional adianta que as descargas no porto de pescas da Caloura,
na freguesia de Água de Pau, têm vindo a cair desde 2020, passando de
cerca de 34.396 quilos (com valor de superior a 131 mil euros) em 2020
para 15.303 quilos em 2024 (74,3 mil euros).“Podemos
concluir que o porto de pesca da Caloura é altamente deficitário, uma
vez que as taxas de lota obtidas não são sequer suficientes para cobrir a
despesa com o único funcionário do posto de recolha”, lê-se no
documento consultado pela agência Lusa.Segundo
os dados disponibilizados, de 2020 até agosto deste ano, as taxas de
lota no porto da Caloura representaram 41 mil euros, um valor
insuficiente para fazer face às despesas, já que o porto apresentou um
prejuízo superior a 206 mil euros naquele período.“As
análises feitas a anos anteriores evidenciam uma tendência de
decréscimo no valor do pescado descarregado e no número de embarcações
que fazem do porto de pesca da Caloura o seu porto de armamento”,
detalha o Governo Regional.O prejuízo do
porto de pescas da Caloura foi de 40,3 mil euros em 2024 e de 18,4 mil
euros no primeiro semestre de 2025, resultados que levaram a Lotaçor,
empresa que gere as lotas da região, a “reduzir o horário de
funcionamento do posto”.“Esta medida teve
como objetivo diminuir o volume de trabalho extraordinário e os
correspondentes custos com pessoal, visando atenuar os resultados
negativos verificados. Contudo, neste caso concreto, tal ajustamento
ainda não produziu os efeitos desejados”, admite o executivo.Questionado
pelo Chega, o Governo Regional garante “não ter conhecimento de
registo, direto ou indireto, de queixas realizadas fruto de ‘ameaças’ ou
‘chantagens’ alegadamente proferidas por funcionários da Lotaçor a
armadores ou pescadores”.A 04 de agosto, o
Chega pediu esclarecimentos sobre queixas de armadores e pescadores que
alegavam estar a ser alvo de chantagem por parte da entidade que tutela
as lotas em relação à entrega do pescado.Nos
últimos anos, o Chega alertou, em diferentes circunstâncias, para a
necessidade de proteger os pescadores da zona da Caloura, na ilha de São
Miguel, devido à “perda de rendimentos” em virtude de exercerem a
atividade numa zona protegida.Em janeiro
de 2025, na sequência de uma decisão da Assembleia Regional, foi
publicada em Diário da República a alteração ao decreto legislativo
regional do Parque Natural da Ilha de São Miguel para permitir a entrada
e saída de barcos de pesca do porto da Caloura e pesca apeada lúdica.A
decisão foi tomada por na zona da Caloura, no concelho de Lagoa,
existir um porto de pescas para uso de pescadores e armadores, “que têm
vindo a receber, constantemente, diversos alertas das autoridades
competentes de que não podem sair, nem entrar, naquele porto de pescas,
por se tratar de um local que se encontra inserido na área protegida de
gestão de recursos da Caloura”.