Governo dos Açores admite que apoios culturais não chegam para todos
Hoje 16:48
— Lusa/AO Online
“Embora o financiamento
público constitua um instrumento importante para o desenvolvimento da
atividade cultural, a dinâmica cultural regional não depende
exclusivamente dos apoios atribuídos pelo RJAAC [Regime Jurídico dos
Apoios às Atividades Culturais]", explica o executivo de coligação
(PSD/CDS-PP/PPM) em resposta a dois requerimentos entregues no
parlamento açoriano pelas bancadas do PS e do BE.Os
dois partidos da oposição solicitaram esclarecimentos ao Governo
Regional sobre o novo modelo de financiamento das atividades culturais,
depois de alguns promotores terem denunciado que “mais de 40% dos
projetos” candidatos ao RJAAC, não tinham sido apoiados.“Ao
contrário do modelo anteriormente aplicado, que assentava numa
distribuição rateada dos montantes, o atual regulamento privilegia a
diferenciação e a seleção de projetos mais bem classificados”, pode
ler-se na resposta do executivo, liderado pelo social-democrata José
Manuel Bolieiro, aos dois partidos.O
Governo Regional lembra que os apoios às atividades culturais nos
Açores, financiados pelo orçamento regional, "mais do que duplicaram"
nos últimos sete anos, passando de 700 mil euros, em 2019, para 1,7
milhões de euros, em 2026.“O atual modelo
de atribuição de apoios garante uma utilização rigorosa, transparente e
eficiente dos recursos disponíveis, assente em critérios objetivos de
mérito e de qualidade das candidaturas apresentadas”, insiste o
executivo, na resposta ao PS e BE.Mas a
oposição não compreende como é possível que “mais de 130 projetos
considerados elegíveis” pelas comissões de avaliação, no âmbito das
candidaturas ao RJAAC, tenham ficado, ainda assim, sem qualquer
financiamento, questionando quais os critérios e as prioridades adotadas
neste regime de apoios.“A elegibilidade
de um projeto significa apenas que este reúne as condições necessárias
para poder ser considerado no processo de seleção, não constituindo, por
si só, garantia de financiamento”, esclarece agora o Governo.Para
o executivo regional, os promotores de iniciativas culturais devem
tentar mobilizar “diferentes fontes de financiamento” para as suas
atividades, sugerindo que recorram a “parcerias institucionais,
patrocínios privados e receitas próprias”.“A
vitalidade do setor cultural deverá assentar, cada vez mais, numa
lógica de corresponsabilização e de compromisso entre os diversos
intervenientes, entidades públicas, agentes culturais, empresas e
comunidade em geral”, adianta o executivo, que diz também não partilhar
da opinião, manifestada pelos partidos da oposição, de que os resultados
deste concurso poderão levar a uma “redução generalizada da programação
cultural”.Em resposta aos requerimentos
do PS e do BE, o Governo Regional divulgou também a listagem das
entidades que receberam, ou vão receber, apoios ao longo deste ano, nos
Açores, entre os quais se destaca uma empresa ligada à produção
audiovisual, que viu aprovadas mais de duas dezenas de projetos que
serão financiados em cerca de 200 mil euros por dinheiros públicos.