Governo dos Açores admite privatizar até 85% da Azores Airlines
7 de mar. de 2023, 14:04
— Lusa/AO Online
O Governo dos Açores decidiu
“aprovar a resolução que aprova e publica o caderno de encargos do
procedimento de alienação de ações representativas de, no mínimo 51% e,
no máximo, 85% do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines,
proposto pelo conselho de administração da SATA Holding”, afirmou o
secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública.Duarte
Freitas falava aos jornalistas na cidade da Horta durante a
apresentação das deliberações da reunião do Conselho do Governo Regional
de 04 de março.“Segundo a legislação
comercial, quando existem menos de 10% do capital de uma determinada
entidade, perdem-se direitos em termos de conselho de administração e a
região quer manter esses direitos”, afirmou, para justificar o máximo de
85% de alienação.O governante detalhou
que a publicação do anúncio do concurso para a privatização da maioria
do capital social da Azores Airlines está previsto acontecer entre 15 a
17 de março e que a entrega de proposta vai decorrer entre 15 a 17
junho.A decisão final sobre a venda da companhia aérea vai ser anunciada “entre setembro e outubro”.“O
governo continua muito convicto e determinado em seguir todos os
procedimentos condizentes para seguir a privatização da Azores Airlines,
porque este é um processo que se não resultar, pode pôr em causa todo o
grupo SATA”, salientou.Segundo o
secretário regional, o comprador fica obrigado a respeitar os acordos
coletivos de trabalho e a não realizar despedimentos coletivos, nem
extinguir postos trabalho “durante um período mínimo de 30 meses”.Entre
as obrigações está ainda a manutenção da sede e da “direção efetiva” da
Azores Airlines nos Açores “durante um período mínimo de 30 meses” e a
apresentação de uma proposta ao concurso público para as rotas não
liberalizadas entre o continente e Açores e entre Açores e Madeira.O
caderno de encargos vai exigir ainda a continuidade das rotas entre
Lisboa/Ponta Delgada, Lisboa/Lajes, Porto/Ponta Delgada e Porto/ Lajes
“durante um período mínimo de 30 meses”, tal como a ligação dos Açores à
diáspora dos Estados Unidos e Canadá durante aquele período.Como
critérios de seleção, está a “apresentação e garantia de execução de um
adequado e coerente” projeto estratégico (25%), a “contribuição para o
reforço da capacidade económica” da companhia (25%) e a “assunção de
compromissos em matéria de estabilidade laboral” (15%).A
“idoneidade e a experiência técnica de gestão no setor” vai valer 10%, o
“preço por ação e o preço global” 15%, enquanto a “contribuição para o
reforço da estrutura e da estabilidade acionista” vai ter um peso de 5%
na avaliação final.Os “compromissos em
matéria de sustentabilidade” (2,5%) e a “ausência de condicionantes
jurídicas ou económico-financeiras” (2,5%) também estão definidos como
critérios de seleção.Duarte Freitas
elogiou ainda a “postura exemplar” do sindicato e da Comissão de
Trabalhadores da companhia e revelou que juiz Araújo de Barros (que
presidiu à secção dos Açores do Tribunal de Contas) vai ser o presidente
do júri do concurso.