Governo dos Açores admite precisar de plano para conter despesa pública
18 de jun. de 2025, 15:03
— Lusa/AO Online
“Temos
que ter uma visão prospetiva daquilo que é a realidade orçamental da
região e precisamos, naturalmente, assegurar a sustentabilidade, a
prazo, da Região Autónoma dos Açores e, nesse sentido, vemos com bons
olhos esta iniciativa”, referiu o governante na Comissão de Economia da
Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.O
titular da pasta das Finanças referia-se a uma proposta de
recomendação, apresentada pelo deputado da Iniciativa Liberal (IL), Nuno
Barata, que defende a criação nos Açores de um “plano estratégico da
redução da despesa pública”, perante o aumento dos custos com vários
setores da Administração Pública Regional.Duarte
Freitas entende que não é possível mexer nos investimentos
cofinanciados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas admite
que é preciso conter o aumento da despesa, sobretudo no setor da Saúde,
que aumentou os seus gastos em 242 milhões de euros apenas nos últimos
cinco anos.“As contas que temos são de
2019 para 2025. Temos aqui um crescimento de 73%, sensivelmente, o que
quer dizer que não estaremos muito longe daquilo que é a tendência
nacional e internacional de duplicação, em dez anos, dos dispêndios na
saúde”, realçou o governante.O secretário
regional das Finanças admite também que o setor da Educação é
igualmente, ou até mais, preocupante que o da Saúde, do ponto de vista
de aumento da despesa, já que cresceu quase 100 milhões de euros no
mesmo período.“Não há aumento de alunos
como há aumento de utentes do Serviço Regional de Saúde. Há uma
diminuição de alunos e, no entanto, subiu-se 99 milhões de euros os
gastos na Educação. Portanto, isto, na perspetiva das Finanças, é ainda
mais preocupante”, realçou Duarte Freitas.Segundo
explicou, o Governo Regional pretende também reestruturar o
funcionamento da Administração Pública Regional, no sentido de conter o
aumento das despesas com pessoal, mas garante que não vai recorrer a
despedimentos.“Menos funcionários, não
significa despedimentos! Significa que, até 2030, se metade das pessoas
podem ir para a reforma ou pré-reforma, não vão entrar outros tantos!”,
clarificou.A IL pretende que o plano
estratégico de redução da despesa, agora apresentado, seja elaborado no
prazo máximo de 60 dias e que se assuma como “mecanismo de controlo e
monitorização de gastos na Administração Pública Regional", incluindo
reformulações orgânicas que promovam a eficiência, simplifiquem
processos e conduzam à redução de departamentos ou unidades intermédias,
eliminando os custos associados a essas estruturas.Nuno
Barata, autor da proposta, quer também que o Governo regional de
coligação (PSD/CDS-PP/PPM) identifique as principais áreas geradoras de
despesa, defina objetivos e metas quantificáveis e promova a revisão de
contratos e a renegociação das condições com fornecedores.