Governo dos Açores acusa PS de falta de “vergonha política” no setor agrícola
Hoje 10:38
— Lusa/AO Online
António Ventura considerou que
“agora há previsibilidade e confiança” na relação com o setor agrícola,
na sequência da apresentação no parlamento dos Açores, pelo PS, de uma
proposta de decreto legislativo regional que “regula a transparência nos
apoios ao setor agrícola”, criando uma “obrigação legal de divulgação
trimestral, clara e organizada, da execução financeira e física dos
apoios”.O titular da pasta da Agricultura
considerou que “não há moral do PS para falar dos pagamentos deste
Governo”, sendo que 2025 foi o ano em que “mais se investiu na
agricultura dos Açores”, atingindo-se os 60 milhões de euros, sem
contabilizar o complemento do POSEI.António
Ventura ressalvou que se aumentou “todas as produções agrícolas” e a
“alimentação acessível dos açorianos”, que ficaram “menos dependentes do
que é importado”.O governante recordou
que “há mais transparência do que havia no passado” em relação aos
pagamentos, através de uma folha e informação no portal dos Açores. “É preciso não ter vergonha política para apresentar um projeto desta natureza, num gesto de pedagogia e populismo”, disse.Na
apresentação da proposta por parte do PS - que viria a ser aprovada por
unanimidade, na votação final global -, a deputada Patrícia Miranda
referiu que se pretende “criar regras, previsibilidade e confiança para
quem vive da agricultura”.Os socialistas
querem que “sempre que algo falhe, sempre que os pagamentos não
acontecem como previsto, o Governo Regional passe a ter a obrigação de
assumir, explicar e justificar publicamente essas falhas”.“Por
isso, quando falamos de apoios agrícolas, falamos de planeamento,
rendimento e sobrevivência económica das explorações. E é aqui,
precisamente aqui, que a realidade do setor contrasta com o discurso do
Governo”, afirmou Patrícia Miranda.No
debate parlamentar, o social-democrata Paulo Silveira considerou que “o
calendário identificativo de pagamentos não é uma mera formalidade
administrativa, mas sim um compromisso político com a transparência e
economia rural dos Açores”, na sequência de um compromisso do presidente
do Governo Regional com a Federação Agrícola dos Açores.Francisco
Lima, do Chega, recordou, por seu turno, que na governação socialista
“o calendário de pagamento coincidia com um calendário eleitoral, ou
seja, acumulava-se quatro anos de dívida e pagava-se ou nas autárquicas
ou nas regionais”.O centrista Luís
Silveira referiu que a “transparência e informação aos açorianos existe”
e no tempo do PS “não existia”, recordando que havia rateios e cortes
nos subsídios, a par da “asfixia financeira que se vivia”,
designadamente nos produtores de leite.O
deputado único do Bloco de Esquerda, António Lima, considerou que uma
“melhor agregação de informação é positiva e necessária”, tendo citado
uma avaliação do Tribunal de Contas Europeu que alerta para a
necessidade de corrigir medidas no setor, evitando-se, por exemplo,
“apoios à diversificação agrícola canalizados para a pecuária”.Pedro
Ferreira (IL) saudou o diploma pela introdução de transparência, algo
que afirmou não ter acontecido durante os 24 anos de governação
socialista, e destacou que a proposta sintetiza a “dispersão de
informação” por vários instrumentos numa única ferramenta.Por
seu turno, o deputado do PPM, João Mendonça, considerou que se está,
com a governação da coligação PSD/CDS-PP-PP, perante um “modelo mais
simples e previsível sobre os apoios e execução orçamental”, sendo
“irónico pedir-se aquilo que nunca fizeram” os socialistas.