Governo dos Açores acusa líder regional do PS de "amnésia política" sobre investimento nos bombeiros

Hoje 15:55 — Lusa/AO Online

“No conjunto do Sistema Regional de Proteção Civil, foram investidos mais de 60 milhões de euros nos últimos cinco anos, correspondendo os dois últimos anos aos maiores planos de investimento de sempre no setor dos bombeiros nos Açores. Francisco César pode escolher ignorar esta realidade. O que não pode é tentar ludibriar os bombeiros açorianos, as associações humanitárias e a população, fingindo que nada foi feito quando os resultados estão à vista de todos”, lê-se num comunicado da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática.Na terça-feira, o líder do PS/Açores, Francisco César, defendeu uma revisão do modelo de financiamento dos bombeiros e a atualização da portaria das condições de trabalho, alertando para “salários desajustados face ao aumento do custo de vida” e para a “falta de financiamento das associações humanitárias”.O dirigente socialista propôs ainda o reforço da chamada “frota vermelha”, a atualização dos meios operacionais das corporações e a criação de condições para que as associações humanitárias da região possam aceder a fundos comunitários destinados à modernização de equipamentos e de infraestruturas.Em reação, a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, que tutela a Proteção Civil nos Açores, disse que as declarações do líder regional socialista revelam uma “preocupante falta de conhecimento da realidade do setor” e uma “tentativa pouco séria de apagar tudo o que foi feito nos últimos anos”.“É legítimo querer mais para os bombeiros. Este Governo também quer e tem-no demonstrado com investimentos, aumentos salariais, renovação de viaturas, reforço de equipas e melhores condições para as associações. O que não é aceitável é transformar as dificuldades que subsistem num exercício de amnésia política sobre aquilo que os governos socialistas deixaram por fazer durante tantos anos”, acusou.Segundo a tutela, o retrato feito pelo dirigente socialista corresponde à “herança” que a coligação PSD/CDS-PP/PPM recebeu do PS, que governou a região entre 1996 e 2020.“É particularmente revelador que Francisco César venha agora falar da renovação da ‘frota vermelha’, quando os governos socialistas deixaram os corpos de bombeiros, desde 2010 e durante mais de uma década, sem a aquisição de uma única viatura desta natureza”, apontou.A Secretaria Regional do Ambiente, liderada por Alonso Miguel, sublinhou que os executivos da coligação adquiriram 21 ambulâncias e 28 viaturas vermelhas, tendo outras cinco já adjudicadas, “num investimento que supera os 8 milhões de euros” em cinco anos.Quanto ao modelo de financiamento, a tutela referiu que o apoio começou nos 500 mil euros anuais e hoje ascende aos 750 mil, acrescentando que o montante é distribuído pelas associações humanitárias de bombeiros com “critérios objetivos e transparentes”."É curioso que Francisco César venha agora defender a alteração de um modelo que o seu partido nunca foi sequer capaz de criar. Talvez a alternativa que propõe seja o regresso ao modelo praticado pelos governos socialistas: nenhum financiamento regular, nenhum critério definido e zero euros de apoio estruturado às associações humanitárias", criticou.A Secretaria sublinhou ainda que a portaria das condições de trabalho dos bombeiros foi atualizada “duas vezes nos últimos dois anos, a última das quais há menos de um ano”, revelando que, em 2020, um bombeiro em início de carreira recebia 720 euros e hoje recebe 1.014, mais 40%.Na emergência médica pré-hospitalar, o executivo vincou que “o investimento cresceu 70%, passando de 4,9 milhões de euros, em 2020, para 8,3 milhões de euros, em 2026”, com um aumento do número de tripulantes de 220 para 277.