Governo dos Açores aceita recomendação do júri sobre privatização da SATA
Hoje 15:02
— Lusa/AO Online
O
Conselho do Governo tomou conhecimento do relatório final elaborado
pelo júri do concurso público, “nomeadamente o facto de não se
encontrarem reunidas condições para a seleção da proposta final
apresentada pelo agrupamento concorrente MS Aviation/New Tour” e
deliberou “não se opor ao que recomenda o relatório para efeitos de
decisão do conselho de administração da SATA Holding, SA”, disse o
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas.O governante,
que falava na leitura das conclusões do Conselho do Governo, que esteve
reunido durante a manhã desta quinta-feira na Madalena, no último dia de uma visita
estatutária à ilha do Pico, acrescentou que o executivo
respeita “a total independência desde sempre assumida pelo júri e pelo
conselho de administração” da companhia aérea açoriana.Segundo
Duarte Freitas, após a formalização, por parte da SATA, da decisão
junto do único consórcio concorrente, o processo concursal será
encerrado e o executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM “tomará brevemente
as medidas necessárias” para que possa alienar a Azores Airlines e o
‘handling’ da SATA até ao final do ano.“Finalizado
este processo, porque formalmente ainda não está finalizado […] o
Governo tomará as medidas, por resolução, para que possa ser cumprido o
desiderato que está previsto no plano de reestruturação, da alienação
até ao final de 2026 da Azores Airlines e da Sata Handling”, explicou.O
secretário regional das Finanças acrescentou que “a abordagem será
através da negociação particular”, sendo esta “a abordagem que se
seguirá”, após o encerramento formal do processo que decorreu até agora.Duarte
Freitas admitiu ainda concordar com afirmação do presidente da SATA,
Tiago Santos, que afirmou recentemente que não há tempo a perder na
aplicação do chamado plano B, devido aos compromissos com a Comissão
Europeia.O consórcio Atlantic Connect
Group (ACG) apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17
milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines.A 28 de janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines anunciou que
iria propor a rejeição da proposta do consórcio admitido no concurso por
entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.Após a contestação do consórcio, o júri elaborou o relatório final e remeteu para o conselho de administração da SATA.Na
sexta-feira, a administração da SATA, numa nota enviada à Lusa,
anunciou que iria propor ao Governo dos Açores que o processo de
privatização da Azores Airlines “seja encerrado sem adjudicação” ao
único consórcio admitido, por motivos de “interesse público”.O
consórcio ACG insistiu, esta quinta-feira, que a sua proposta final triplicou face ao
valor inicial e acusou o júri do concurso de “alterar os critérios” de
avaliação.Em comunicado, o agrupamento diz continuar “sem conhecer oficialmente as razões
da recusa da sua proposta” e revela ter tido conhecimento pela
comunicação social de que o júri propôs a rejeição “com base no facto de
o pagamento do preço não ser integralmente efetuado no momento da
transmissão das ações”.O consórcio adianta
que na proposta inicial estava previsto o “pagamento integral a
pronto”, mas essa condição “mereceu uma classificação de apenas 25
pontos em 100 possíveis” na avaliação do júri, liderado pelo economista
Augusto Mateus.O ACG insiste que
inicialmente o “pagamento imediato não foi considerado relevante na
avaliação” e acusa o júri de “alterar critérios para justificar a
exclusão” da proposta.“O que não se
compreende agora é o seguinte: quando o pagamento era a pronto, o
critério era desvalorizado; quando o pagamento era dilatado no tempo, o
critério foi forte o bastante para ditar a exclusão da proposta",
critica.Esta quinta-feira, o empresário Carlos Tavares,
que integra o ACG, confirma, em entrevista ao jornal Eco, que o
consórcio vai levar o processo de privatização da Azores Airlines aos
“tribunais portugueses e estrangeiros”.Na
terça-feira, ao Negócios, o presidente da SATA adiantou que, após a
recusa da proposta do consórcio, a privatização da Azores Airlines vai
passar pelo modelo de venda direta.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).