Governo dos Açores aberto "a todas as propostas" para o "maior orçamento social" da Autonomia
21 de nov. de 2022, 12:32
— Lusa/AO Online
As
afirmações foram feitas pelo secretário regional das Finanças, Duarte
Freitas, na intervenção de abertura do debate sobre o Plano e Orçamento
regionais para 2023, no plenário que começou na Assembleia
Legislativa, na cidade da Horta, ilha do Faial.“O
governo, com responsabilidade política, está aberto a todas as
sugestões, críticas e propostas que possam ainda melhorar estes
documentos, sem desvirtuar a sua base matricial comungada com todos até
aqui”, afirmou.Duarte Freitas caracterizou
os documentos como sendo de “responsabilidade política”, notando que
“declinam o programa do governo” e foram “elaborados num espírito de
diálogo e concertação”, com os parceiros sociais e os “responsáveis
políticos com assento parlamentar”. Perante
o “orçamento com o maior pendor social da historia da autonomia”,
Duarte Freitas dirigiu-se ao deputado socialista Vasco Cordeiro,
ex-presidente do Governo Regional, para alertar que “o bota abaixo como
única estratégia, não é boa política.“Noutros
tempos, tivemos oposições à altura. Em 2020, o orçamento retificativo
do covid-19, teve a viabilização das oposições. Em 2013 e 2014, as
oposições viabilizaram as propostas orçamentais de combate à crise.
Agora, num cenário de crise inflacionista, com uma guerra na Europa e
nos resquícios da pandemia, exige-se responsabilidade a todos”,
observou.E continuou: “A nossa
responsabilidade de diálogo, de opções em favor dos mais desprotegidos,
sem esquecer a economia, está aqui presente e foi bem valorizada pelos
mais variados setores políticos, institucionais e sociais da sociedade
açoriana. Que a responsabilidade deste parlamento, desde logo do maior
partido da oposição, esteja também à altura”.Quanto
à vertente de apoio social, o secretário regional assinalou a subida
“de 15% do Complemento Regional de Pensão, do apoio a doentes deslocados
e a doentes oncológicos, do COMPAMID [comparticipação de aquisição de
medidamentos a idosos], o aumento conjugado de 15% na Remuneração
Complementar [dos trabalhadores da administração regional] e no
acréscimo regional ao abono de família”, a par de um aumento de 22% na
ação social escolar.“Para a classe média que tem créditos, prevemos uma linha orçamental para compensar o aumento de juros”, revelou.Relativamente,
às micro, pequenas e médias empresas, “que representam, segundo dados
do INE [Instituto Nacional de Estatística], mais de 98% do tecido
empresarial” dos Açores, foi criado “um programa de capitalização,
através da banca de retalho”.“Assinaremos o
primeiro protocolo dentro de quinze dias, de forma que o processo de
capitalização destas empresas possa ficar disponível no início de 2023”,
disse.Duarte Freitas indicou ainda que este é “o primeiro orçamento, em 15 anos, que não prevê aumento de endividamento”.“Quanto
ao quadro macroeconómico, aponta para um crescimento do PIB em 2023 de
1,7%, que compara com 1,3 para Portugal e uma inflação de 4,3, que
compara com 4 para Portugal”, afirmou.O
secretário regional disse também que o Programa Açores 2030 “será
assinado logo que os regulamentos nacionais transversais sejam aprovados
pelo Governo da República, estimando-se que em dezembro todos estes
processos possam estar concluídos”.“Em
relação ao PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], para além do
reforço de que a região vai usufruir no montante de 80 milhões de euros,
representando 5% do total do reforço nacional, outra boa notícia é a
revisão do programa no início de 2023, por via não só do reforço das
verbas, mas também das dificuldades nacionais e europeias na sua
execução devido às distorções nas cadeias logísticas e das
matérias-primas”, adiantou.Por outro lado,
“no seguimento de um entendimento com a ministra de Estado, Mariana
Vieira da Silva, confirmou-se o acesso dos Açores às controversas verbas
dos 117 milhões de euros, através de acesso a avisos nacionais que
englobam os Açores”, revelou.O Orçamento
dos Açores para 2023, de cerca de 1,9 mil milhões de euros, começou hoje
a ser debatido no plenário da Assembleia Legislativa Regional, onde a
votação final global deve acontecer na quinta ou na sexta-feira.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um
deputado independente (eleito pelo Chega). PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação. A
coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega
e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um
acordo com a IL.