Governo diz que subida do salário mínimo para 870 euros em 2025 é significativa
26 de set. de 2024, 10:59
— Lusa/AO Online
À
saída da reunião da Concertação Social, Maria do Rosário Palma Ramalho
adiantou que apresentou aos parceiros sociais uma "minuta da
proposta de acordo tripartido". "Trata-se
de um acordo de valorização salarial que não incide apenas sobre o
salário mínimo, mas também propõe medidas de valorização dos salários em
geral" e que é também "virado para o crescimento económico e para a
competitividade", explicou.No que tocam ao
salário mínimo nacional, a ministra confirma que propôs que suba para
870 euros brutos no próximo ano. Este valor representa uma subida de 15
euros face aos 855 euros brutos que estavam previstos no acordo de
rendimentos assinado pelo anterior executivo em 2022 e um aumento de 50
euros face aos 820 euros atualmente em vigor. "Há uma diferença significativa", realçou a governante.Questionada
sobre a possibilidade de atualizar o mínimo de existência tendo em
vista a que o salário mínimo não pague IRS, a ministra não se
comprometeu, referindo que "há uma cláusula que contempla a atualização
dos escalões" e que está ainda tudo a ser "negociado".De
acordo com o documento a que a Lusa teve acesso, o Governo propôs ainda
aumentar o salário mínimo para 920 euros em 2026, para 970 euros em
2027 e para 1.020 euros em 2028. No entanto, a ministra escusou-se a
confirmar essa proposta. A proposta de
acordo tripartido contempla também a possibilidade de se avançar com uma
isenção de IRS e de dos prémios de produtividade, “até ao montante
igual ou inferior a 6% da remuneração base anual do trabalhador”, tal
como previsto no programa de Governo. Mas,
no documento consultado pela Lusa, o Governo impõe algumas condições
nomeadamente, diz que apenas se aplica se o empregador “efetuar um
aumento mínimo de 4,7% da remuneração base anual dos trabalhadores que
aufiram um valor inferior ou igual à remuneração base média anual
existente na empresa no final do ano anterior”. Segundo
a ministra, a proposta de acordo “contempla ainda outras medidas que
compensem as empresas do esforço adicional salarial”. No
plano fiscal, segundo o documento, a proposta prevê, por exemplo, uma
“redução progressiva da taxa de IRC até 2028, passando em 2025 dos
atuais 21% ara 19%.A ministra reiterou
ainda que gostava que o acordo ficasse fechado antes do prazo-limite da
entrega do Orçamento de Estado, 10 de outubro, dado que há algumas
medidas que para avançar terão que constar no documento.Segundo
o documento consultado pela Lusa, o Governo propõe ainda manter nos
4,7% em 2025 o referencial para o aumento global dos salários
(discutidos em negociação coletiva) e em 4,6% em 2027, tal como previsto
no acordo de rendimentos. Já para 2027 e para 2028, uma vez que a ideia
é que o novo acordo contemple toda a legislatura (o atual só vai até
2026) é de 4,5% em cada um desses anos.