Governo diz que se deve combater abuso de menores 'online' sem comprimir direitos
29 de set. de 2025, 10:33
— Lusa/AO Online
A fonte
oficial do Ministério referiu à Lusa que existe uma equipa de trabalho
responsável por analisar a proposta, "constituída por elementos do
gabinete da ministra da Justiça, da Direção-Geral da Política de
Justiça, da Polícia Judiciária, do Ministério da Administração Interna e
do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo acompanhado também por
elementos da Representação Permanente de Portugal junto da União
Europeia".Esta proposta, atualmente em
debate, permite, desde que haja indícios de abuso sexual de crianças, o
acesso a todas as mensagens privadas, no Whatsapp e em outras
plataformas, sendo contestada por Estados-membros.A votação do regulamento pelo Conselho de Justiça e Assuntos Internos europeu está prevista para 14 de outubro.Contactada
pela Lusa, a fonte oficial do ministério tutelado por Rita Alarcão
Júdice defende ser "fundamental combater o abuso sexual de crianças, mas
para alcançar esse objetivo, não se podem comprimir de forma
desproporcionada, injustificada ou desnecessária outros direitos,
nomeadamente o direito à privacidade".A
mesma fonte refere que as negociações em curso sobre a proposta europeia
têm "procurado conciliar privacidade e combate ao fenómeno do abuso
sexual de crianças em linha [na Internet]".Em
19 de setembro, os deputados debateram um projeto de resolução
apresentado pela Iniciativa Liberal a recomendar ao Governo a rejeição
do Chat Control, o qual foi rejeitado com os votos contra do PSD e do
PS.Outros governos europeus tomaram posições em relação à proposta de regulamento, existindo divergências no bloco comunitário. Países
como Finlândia, Alemanha ou Chéquia já transmitiram oposição à proposta
europeia, com os finlandeses a dizerem que "contém uma ordem de deteção
que foi considerada problemática do ponto de vista constitucional".O
Governo Federal alemão opõe-se à "quebra da encriptação", tecnologia
responsável por codificar as comunicações para torná-las ilegíveis,
impedindo o acesso não autorizado."Não
concordamos que quaisquer 'e-mails' ou mensagens em plataformas como
WhatsApp ou Messenger possam ser monitorizadas", lê-se na conta oficial
do X (antigo Twitter) do primeiro-ministro da Chéquia.A
proposta da Comissão Europeia prevê a criação de uma tecnologia para
uso dos “prestadores de serviços de armazenagem em servidor e os
prestadores de serviços de comunicações interpessoais” para detetar
atividades suspeitas que possam ser passíveis de constatar abuso de
menores. O documento prevê atribuir
poderes coercivos às autoridades que mediante uma “ordem de deteção”
terão acesso às comunicações interpessoais dos utilizadores das
aplicações destes “prestadores de serviços de comunicações
interpessoais”, que se entendem por todas as plataformas digitais que
permitem a comunicação entre utilizadores, como o Whatsapp, Signal ou
Gmail.Esta proposta surgiu pela primeira
vez em 2020 sob a forma de regulamento transitório para permitir a
deteção voluntária de material de abuso sexual ‘online’ (derrogação da
diretiva e-Privacy), tendo entrado em vigor em 2021.Um
ano mais tarde, a Comissão Europeia apresenta a proposta oficial do
regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece regras
para prevenir e combater o abuso sexual de crianças, apelidada de ‘Chat
Control’.O projeto foi apresentado na
Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos
(LIBE) do Parlamento Europeu e, em 2023 é publicado o relatório do
relator, incluindo emendas ao texto, tendo o LIBE rejeitado o ‘scan’ em
massa de mensagens privadas dos utilizadores.