Governo diz que nova estrutura para comunicação ficará “para décadas” e servirá qualquer partido
16 de out. de 2025, 16:23
— Lusa/AO Online
Na
conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros,
António Leitão Amaro foi questionado sobre uma notícia do jornal online
Observador de que o que o Governo vai criar uma nova estrutura para
reforçar a coordenação da comunicação institucional entre Ministérios e
reforçar a presença nas redes sociais, num modelo semelhante ao da
Comissão Europeia.A nova estrutura,
formalmente designada secretaria-geral Adjunta para a Comunicação
Institucional, será liderada por Daniel do Rosário, antigo jornalista e
porta-voz da Comissão Europeia em Portugal.“Creio
que desejam que os nossos padrões de um Governo de comunicação - tal
como de ação, como de produção, como de decisão, como de execução das
suas políticas públicas - sejam padrões mais exigentes, mais
profissionais, mais competentes, já agora, mais parecidos com o que os
melhores casos do mundo, os melhores casos da Europa democrática, livre,
plural, adotam”, começou por responder o ministro da Presidência, que
tutela a comunicação social.Leitão Amaro
defendeu ser preferível um Governo com estruturas de apoio ao Estado –
mas desligadas do Governo - com “meios técnicos, profissionais”, do que
“Governos que gastam, ou gostariam de gastar, dezenas e dezenas de
milhões de euros em agências de comunicação, ou em contratações para
auxiliar a tarefa de comunicação”.O
ministro afirmou que esta secretaria-geral adjunta, já prevista aquando
da criação da secretaria-geral do Governo, conta com “excelentes
profissionais”, que numa primeira fase foram nomeados em regime de
substituição, mas com concursos a correr na Cresap (Comissão de
Recrutamento e Seleção para a Administração Pública).“Permitirão
que o Governo do país, seja este ou o futuro, destes partidos ou de
outros, sejam apoiados com mais profissionalismo. Isto é, valorizar os
recursos públicos, valorizar a capacidade do governo do país agir num
estrito e escrupuloso respeito pelo profissionalismo, a independência e o
pluralismo que o país exige”, defendeu.O
ministro Leitão Amaro foi ainda questionado sobre declarações do líder
parlamentar do PSD, Hugo Soares, que defendeu, em entrevista à RTP
Notícias, ser necessário “cada vez mais espírito crítico e escrutínio
sobre as notícias que vão saindo”.“Porque
muitas delas são absolutamente falsas. São falsas muitas das notícias
que são publicadas em muitos jornais que são todos os dias vendidos aos
portugueses”, afirmou Hugo Soares, na entrevista de quarta-feira à
noite.À pergunta se subscreve estas
declarações, Leitão Amaro disse concordar que “todas as formas de poder,
numa sociedade democrática, livre, pluralista, são e devem ser sujeitas
a escrutínio”. “Quando há erros, abusos,
falhas, esse escrutínio deve ser reforçado. Portanto, a ideia de, se há
notícias falsas e onde elas existirem, deve existir escrutínio, o
escrutínio deve ser mais profundo, ela parece-me uma formulação que eu
creio que todos nós devemos subscrever”, afirmou.O
ministro fez questão de desligar completamente essa tarefa da ação do
Governo, remetendo-a para a entidade reguladora independente que já
existe, a ERC.“Se nós acharmos que é
indiferente as notícias serem verdadeiras ou falsas, que não há uma
linha de fronteira entre desinformação e informação profissional, entre
informação de qualidade e boatos, vamos estar a contribuir para
desacreditar do debate democrático”, afirmou, dizendo que espera que
“toda a sociedade” possa subscrever a formulação do líder parlamentar do
PSD.