Governo diverge da leitura da oposição sobre palavras de Rubio em relação às Lajes
Irão
Hoje 15:47
— Lusa/AO Online
Esta
posição foi assumida pelo secretário de Estado Nuno Pinheiro Torres no
debate desta manhã em plenário, agendado pelo PCP, sobre a “soberania
nacional, a resposta à crise e a defesa da paz”.No
encerramento do debate, o secretário de Estado da Política da Defesa
Nacional defendeu que “ser soberano inclui o poder de aceitar limites ou
restrições voluntárias ao exercício da soberania”, apontando como
exemplos a presença de Portugal na União Europeia e o acordo com o
Estados Unidos para o uso da base aérea das Lajes, nos Açores.O
governante defendeu que a presença norte-americana nos Açores “tem
trazido muitos benefícios para a economia da Ilha Terceira” e que o uso
da base aérea, bem como do espaço aéreo português, é feito nos “estritos
termos das normas jurídicas aplicáveis”.Depois
de um debate marcado por várias críticas ao Governo, na sequência das
declarações de Marco Rubio, que elogiou Portugal por aceitar o pedido
dos Estados Unidos para utilizar a Base das Lajes no conflito com o
Irão, Nuno Pinheiro Torres disse ter ouvido atentamente as palavras do
norte-americano.Para o secretário de
Estado da Política da Defesa Nacional, o que foi dito “é que Portugal
não recusou o acesso à base, ao contrário de outros países europeus”.E enfatizou: “De facto, não recusámos. Repito, para que não restem dúvidas. Sim, autorizámos, caso a caso, com condições”.De
seguida, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, interpelou a
mesa para pedir a distribuição da frase de Marco Rubio, assinalando que
o norte-americano referiu que a autorização foi dada antes de se saber o
teor do pedido.“Parece que alguns membros
do Governo não leram a intervenção de Marco Rubio. Uma intervenção em
que a expressão é ‘before we even ask’, antes mesmo de nós
perguntarmos”, salientou.Durante o debate,
também o socialista António Mendonça Mendes disse ter ficado claro,
“pela ausência de respostas a desmentir categoricamente” as palavras de
Marco Rubio, que este executivo “é parco a responder mas também não faz
perguntas” quando tem de as fazer.Durante o
debate, o deputado do Livre Jorge Pinto disse que as palavras de Rubio,
por referirem que Portugal aceitou o uso das Lajes sem qualquer
condição, são algo que “envergonha e preocupa a todos”.A
questão do custo de vida foi também trazida debate com os partidos a
insistir nas críticas à ação do Governo, com o PAN a lamentar “a
resistência em baixar o IVA” e o Livre a pedir que não se espere
“passivamente que os preços desçam”.A
secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, defendeu
a ação do Governo, referindo que “o custo das medidas adotadas pelo
Estado português situa-se acima da média europeia e coloca Portugal no
grupo dos cinco países com maior esforço orçamental na resposta à
crise”.Em nome do executivo, no mesmo
debate, interveio também o secretário de Estado Adjunto e da Energia,
Jean Barroca, que argumentou que o Governo, perante uma crise
energética, optou por um “caminho estrutural” e de construção de um país
“que não precisa de reagir porque se preparou”.O
governante salientou que o Governo pretende “colocar nas mãos das
famílias os meios concretos para reduzirem o seu consumo, para se
eletrificarem, para ganharem autonomia” e referiu que, apesar da
tendência decrescente, o país ainda tem uma grande dependência
energética do exterior.