Governo disponibiliza até 35 milhões de euros para setor agrícola e floresta
21 de out. de 2017, 19:33
— AO/Lusa
No âmbito da reunião extraordinária de hoje do
Conselho de Ministros, destinada a aprovar medidas de prevenção e
combate aos incêndios florestais, bem como reparação dos prejuízos, e
que decorre na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, o
governante indicou que vão ser alocados 15 milhões de euros para “acudir
aos problemas mais graves” de erosão dos solos e contaminação das
águas.Na área florestal, vão ser criadas duas linhas de crédito,
uma de cinco milhões de euros para a instalação de parques para depósito
da madeira ardida e outra de três milhões de euros para a
comercialização da madeira ardida a preços considerados razoáveis.“Desde
que sejam respeitados preços mínimos fixados pelo Ministério da
Agricultura - 20 euros por metro cúbico para as árvores com menos de 30
centímetros de diâmetro”, revelou Capoulas Santos.No setor
agrícola, as medidas que vão ser “adotadas de imediato” prendem-se com o
apoio à alimentação dos animais, em que serão criadas “cinco
plataformas logísticas” para a entrega de elementos compostos para
animais encomendados pelo Governo à indústria de rações portuguesa,
informou o tutelar da pasta da Agricultura, indicando que a distribuição
contará com membros das Forças Armadas e dos municípios.Segundo o
ministro da Agricultura, existem necessidades “muito urgentes de
alimentação animal”, que se estimam que estejam na ordem de meio milhão
de ovinos e de mais de 100 mil bovinos.O Governo vai ainda apoiar
em 100% os prejuízos até cinco mil euros dos pequenos agricultores e,
“acima desse valor, 50% a fundo perdido em tudo o que tenha a ver com
perda de máquinas, equipamentos, instalações, estábulos, motores e
culturas permanentes como vinhas, pomares e olivais”.As centenas
de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano
segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais
de uma dezena dos quais graves.Os fogos obrigaram a evacuar
localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas
de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Esta é a
segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois
de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros
municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e
mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi
atropelada quando fugia deste fogo.