Governo deve definir esta semana meio de transferência de verbas para municípios
10 de jan. de 2019, 11:14
— Lusa/AO Online
O
que “o Governo está a fazer é ver, mediante o Orçamento
de Estado aprovado, se tem outro mecanismo para fazer chegar o dinheiro
da Saúde e da Educação dos respetivos ministérios aos municípios que
aceitem competências [nestas áreas] no ano de 2019”, afirmou Carlos
Miguel, quando questionado pela agência Lusa.O
secretário adiantou que se trata de um assunto em relação ao qual tem
“a esperança e a convicção” de que “internamente o Governo possa dar uma
resposta ainda durante a presente semana”, para descanso de todos,
sobretudo da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que
“ainda terça-feira manifestou legitimamente essa preocupação”.“Uma
coisa é certa – e é de ‘La Palice’ – se não houver dinheiro, mas vai
haver, se não houver dinheiro que acompanhe a transferência [de
competência] é óbvio que os municípios não conseguem exercer a
competência”, afirmou.A
ANMP exigiu, na terça-feira, que o Governo e os partidos políticos com
assento parlamentar clarifiquem “rapidamente” o modo de garantia do
financiamento da descentralização de competências para as autarquias,
essencialmente nas áreas da Saúde e da Educação, que são as que implicam
mais meios.“Neste
momento, em que a maioria dos diplomas setoriais” da descentralização
administrativa “já estão aprovados”, a questão do respetivo
financiamento “suscita a preocupação da ANMP”, pois “a Assembleia da
República reprovou, no âmbito da Lei do Orçamento do Estado para 2019
(OE2019), a possibilidade de constituição do Fundo de Financiamento da
Descentralização”, afirmou o presidente da associação, Manuel Machado.“Na
consensualização dos decretos-lei setoriais”, a ANMP “determinou o
estabelecimento de determinadas garantias relativas ao desenvolvimento
deste processo de descentralização”, para que ele possa decorrer com “o
máximo rigor, previsibilidade e responsabilidade”, referiu Manuel
Machado, destacando que foi prevista a alteração da Lei das Finanças
Locais (já aprovada) e a existência do Fundo de Financiamento da
Descentralização (FFD), para financiar as competências a transferir.Mas
o parlamento rejeitou as normas relativas à dotação do FFD, “não
havendo, no momento, a possibilidade de serem efetuadas alterações
orçamentais destinadas ao seu reforço, nem estando determinado qual o
procedimento legal a seguir para o efeito”, salientou o presidente da
ANMP.Carlos
Miguel disse hoje que aquilo que foi chumbado na Assembleia da República
“foi uma alínea do OE [para 2019] que previa a passagem” de verbas dos
orçamentos dos ministérios da Saúde e da Educação para o FFD. Este fundo “não foi chumbado, foi chumbado o mecanismo que permitia a passagem” desses dinheiros (para os municípios), precisou.“[O
FFD] não previa no OE um euro, isto porque só se pode prever quando
soubermos, com rigor, com precisão quais são os municípios que aceitam
exercer a competência na Saúde e na Educação no ano de 2019”, referiu o
secretário de Estado, pelo que toda a verba lá colocada seria
“abstrata”.Mas “a AR não entendeu assim, com toda a legitimidade do mundo”, observou.O
secretário de Estado Carlos Miguel falava aos jornalistas após ter
participado num debate sobre descentralização com os autarcas das 19
câmaras que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) Região de
Coimbra.Na
reunião, nas instalações da CIM Região de Coimbra, nesta cidade, o
governante e os autarcas detiveram-se nos diplomas setoriais da
descentralização, essencialmente em aspetos relacionados com os 11
decretos-lei setoriais já publicados (no âmbito do processo de
descentralização, que envolve um total de 23 diplomas setoriais).