Governo defende reforço da igualdade e inclusão digital perante novos desafios do trabalho
7 de mar. de 2023, 09:21
— Lusa/AO Online
“Num mundo em crise e profunda
mudança, onde a agenda digital nos convoca para novos desafios no mundo
do trabalho, na organização da sociedade, nas mudanças nas nossas
democracias, temos a obrigação de aprofundar as políticas públicas de
igualdade e inclusão digital”, afirmou Ana Catarina Mendes na 67ª sessão
da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher (CSW67), que
decorreu em Nova Iorque.Segundo a ministra
com a tutela da igualdade, as novas tecnologias têm potencial para
trazer "grandes benefícios" para as mulheres, mas “importa que sejam
usadas de forma equitativa para evitar agravar as desigualdades de
género”.Intervindo neste órgão
intergovernamental dedicado à promoção da igualdade de género, a
governante referiu que se vive um “momento particularmente marcado por
alguns retrocessos nos direitos das mulheres e raparigas”, os quais
poderão ser travados com políticas públicas que valorizem a igualdade de
oportunidades.No debate geral da
comissão, Ana Catarina Mendes salientou ainda que Portugal tem
desenvolvido uma “intervenção estrutural e transversal” nesta área,
apontando o exemplo de uma iniciativa nacional que apoia projetos
direcionados a raparigas para o desenvolvimento de competências digitais
e para o acesso a estudos superiores na área da digitalização e
inteligência artificial.“Aprovámos, em
2018, uma nova Estratégia Nacional para a Igualdade e Não Discriminação,
alinhada com a Agenda 2030, e que imprime a necessária perspetiva de
género também às áreas da mudança tecnológica, e educação na era digital
para alcançar a igualdade de género e o empoderamento de todas as
mulheres e raparigas”, sublinhou a ministra.Ana
Catarina Mendes adiantou ainda que vários estudos sugerem que a
desigualdade de género no plano digital é “essencialmente um resultado
da persistência de fortes estereótipos de género e preconceitos sobre o
que é apropriado para mulheres e homens”, atribuindo-se capacidades
diferenciadas a cada sexo.Para combater
estes estereótipos, o Governo “tomou medidas concretas”, avançou a
ministra, apontando o exemplo do programa Engenheiras por um Dia, que
leva jovens raparigas às universidades para as áreas tecnológicas e das
tecnologias de informação e comunicação, “demonstrando que não há
profissões para homens e profissões para mulheres”, disse.“Há
profissões e todos devem ter o direito ao seu acesso em igualdade
salarial, conciliação da vida pessoal, profissional e familiar, os
mesmos horários, as mesmas tarefas”, defendeu Ana Catarina Mendes.A
edição deste ano da CSW67 teve como tema a "inovação, a mudança
tecnológica e a educação na era digital para alcançar a igualdade de
género e o empoderamento de todas as mulheres e meninas".