Governo defende que mudanças na imigração dão tratamento “mais digno” a quem vem da CPLP
24 de jul. de 2025, 15:23
— Lusa/AO Online
Na
conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros,
António Leitão Amaro foi questionado sobre o diploma do regime jurídico
de entrada e permanência de estrangeiros, que ainda aguarda decisão do
Presidente da República, e sobre o incómodo admitido pelo chefe de
Estado de Angola, João Lourenço, com estas mudanças.O
ministro da Presidência disse que o Governo aguardará “com toda a
tranquilidade institucional” a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa.“As
mudanças feitas alinham com a Constituição, respeitam e estão dentro
dos limiares da diretiva europeia, incluindo no regime de reagrupamento
familiar”, disse, voltando a defender que estas “são mudanças
imprescindíveis para que os fluxos migratórios estejam sob o controlo”.Sem
responder diretamente sobre as declarações do Presidente da República
de Angola, o ministro defendeu as mudanças na lei para receber “com
dignidade quem chega”, enfatizando a situação dos cidadãos provenientes
da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP).“A
situação vivida até há um ano e pouco era de tratamento indigno de quem
chegava: esperava anos por um documento, vivia, e alguns ainda vivem,
em condições de alojamento inaceitáveis, muitos alunos na escola
desacompanhados”, disse.Leitão Amaro
voltou a responsabilizar os anteriores governos do PS pelas regras que,
no seu entender, “levaram à degradação da política imigratória, ao
descontrolo nas entradas e à indignidade no tratamento de imigrantes que
Portugal adotou, incluindo muitos imigrantes vindos de países de CPLP”.
“O tratamento ainda mais discriminatório
de cidadãos de CPLP, isso foi coisa do passado. Retomámos a dignidade
também para, e com particular ênfase para, os cidadãos estrangeiros que
vêm de países da CPLP”, disse,João
Lourenço, que chega hoje a Lisboa para uma visita oficial a Portugal,
admitiu existe "algum incómodo" relativamente às mudanças preconizadas
na área da imigração."De facto existe
algum incómodo. O Brasil teve a coragem de manifestar já esse mesmo
incómodo. Nós até aqui não dissemos nada, mas é evidente que estamos a
seguir a evolução da situação com muita atenção", disse João Lourenço,
numa entrevista à TVI/CNN Portugal, transmitida terça-feira."Portanto,
os portugueses emigraram para todo o mundo e o mínimo que a gente exige
é que Portugal não trate os imigrantes que escolheram Portugal como um
destino para fazerem suas vidas de forma pior a que foram tratados nos
países que os acolheram ao longo dos anos", salientou na entrevista.Questionado
se vai abordar a questão da lei aprovada nos contactos institucionais
que vai manter em Portugal, João Lourenço respondeu afirmativamente."Eu
penso que sim. Nós temos, não apenas nós, Angola, temos imigrantes em
Portugal, mas, até na minha condição hoje de presidente em exercício da
União Africana, tenho de alguma forma de falar pelos africanos de uma
forma geral. E há bastantes africanos de diferentes nacionalidades que
escolheram Portugal", salientou.O novo
regime limita os vistos para procura de trabalho ao "trabalho
qualificado" – para pessoas com "competências técnicas especializadas", a
definir posteriormente por portaria – e restringe o reagrupamento
familiar de imigrantes, concedendo mais direitos nesta matéria a quem
tenha certos tipos de autorização de residência, como os chamados
"vistos gold".Quanto à concessão de
autorizações de residência a cidadãos provenientes da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa (CPLP), e abrangidos pelo respetivo acordo
de mobilidade, o novo regime impõe como condição a posse prévia de um
visto de residência – quando atualmente basta um visto de curta duração
ou uma entrada legal em território nacional.As
alterações ao regime jurídico de estrangeiros - a partir de diplomas do
Governo e do Chega – foram aprovadas com votos a favor de PSD, Chega e
CDS-PP, votos contra de PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP e a abstenção da
IL.