Governo decide hoje se prolonga ensino à distância
Covid-19
9 de abr. de 2020, 10:13
— Lusa/AO Online
Desde
16 de março que todos os estabelecimentos de ensino, desde creches a
universidades e institutos politécnicos, estão encerrados para conter a
propagação do novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19,
que já infetou mais de 13 mil pessoas em Portugal.A
medida esteve nos últimos dias a ser reavaliada e hoje o Governo
anuncia se vai manter a suspensão das aulas durante o terceiro período
que, para a maioria dos alunos do ensino básico e secundário, começa na
próxima segunda-feira.A presidente do
Conselho Nacional de Educação, que participou na terceira reunião sobre a
situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, na terça-feira,
adiantou à Lusa que as aulas do último período vão arrancar ainda à
distância e considerou o regresso às escolas em maio pouco viável.Essa
possibilidade tinha sido levantada pelo primeiro-ministro, António
Costa, que na sexta-feira apontou o dia 04 de maio como a data limite
para um recomeço das aulas presenciais que assegure o cumprimento com
normalidade do calendário escolar, designadamente no ensino secundário."A
medida também não irá para a frente se não houver grande segurança",
afirmou a presidente do conselho, sublinhando que os conselheiros de
Estado manifestaram receio em relação à possibilidade de retomar as
aulas em maio, uma vez que o momento atual ainda é de incerteza.Na
sequência da suspensão das aulas presenciais, cerca de dois milhões de
alunos trocaram as salas de aula pelas suas casas e os professores
tiveram de adotar modelos de ensino inovadores, recorrendo a plataformas
de ‘e-learning’ e aplicações de videochamada para as aulas, e enviando
trabalhos por ‘e-mail’ ou ‘whatsapp’.Mas
durante as duas semanas de ensino à distância antes das férias da
Páscoa, pais, professores e diretores escolares alertaram para os vários
constrangimentos criados pelo novo modelo, que deixou de fora os alunos
mais desfavorecidos que não têm Internet nem equipamentos para
conseguir acompanhar as aulas a partir de casa.O
Ministério da Educação fez entretanto uma parceria com a RTP para
começar a transmitir no 3.º período conteúdos programáticos dirigidos
aos alunos do 1.º ao 9.º ano de escolaridade, sendo desconhecidos os
contornos da iniciativa.No entanto,
existem outros problemas por resolver, designadamente a realização das
provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos e dos exames nacionais do 9.º
ano e os exames do 11.º e 12.ºanos, que servem de acesso ao ensino
superior.Segundo a presidente do CNE,
existe um consenso entre os órgãos consultivos da tutela e os
representantes da comunidade escolar em torno da suspensão das provas de
aferição, bem como dos exames finais do 9.º ano.Por
outro lado, a realização dos exames nacionais do ensino secundário é
mais controversa, estado em cima da mesa o adiamento para setembro,
defendido pelo CNE, ou a sua suspensão, uma possibilidade admitida pelo
Conselho das Escolas e por sindicatos. Depois
é preciso decidir até quando se deverá manter o ensino à distância e de
que forma será feita a avaliação neste terceiro período, concordando
órgãos consultivos e representantes da comunidade escolar que o trabalho
dos alunos à distância não deve pesar na nota final, se prejudicar a
avaliação do aluno.