Governo de Meloni força despejo de histórico espaço de contracultura em Milão
21 de ago. de 2025, 15:22
— Lusa/AO Online
“Num Estado de
Direito não podem existir zonas francas ou áreas fora da legalidade. As
ocupações abusivas são prejudiciais para a segurança, para os cidadãos e
para as comunidades que respeitam as regras. O Governo continuará a
garantir que a lei seja respeitada, sempre e em todos os lugares”,
comentou Meloni na sua conta na rede social X.A
primeira-ministra reagia após a polícia ter concretizado a ordem de
despejo do chamado “centro cultural Leoncavallo”, um dos muitos espaços
ocupados nas grandes cidades italianas, e aos quais o Governo de direita
radical liderado por Meloni decidiu ‘declarar guerra’.“Finalmente,
as coisas mudaram. A lei é a mesma para todos. Saiam!”, congratulou-se
por seu turno o vice-primeiro-ministro e líder do partido radical de
direita Liga, Matteo Salvini.Também o
ministro do Interior, Matteo Piantedosi, disse que o despejo mostra que o
Governo está a demonstrar tolerância zero em relação à ocupação ilegal,
apontando que já foram despejadas quase 4 mil propriedades desde a
tomada de posse deste executivo (em 2022) e que “a desocupação de
Leoncavallo é apenas mais um passo”.Já o
presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala, de centro-esquerda, disse
que o conselho municipal não foi previamente informado da ordem de
despejo, da qual discorda, dado considerar Leoncavallo “um valor
histórico e social” da cidade que é a capital da região da Lombardia
(norte).A presidente da associação "Mame
del Leoncavallo", que geria o espaço, considera o despejo “uma
tragédia”, mas garantiu que “isto não é o fim” e que irá recorrer para o
conselho municipal de Milão.Por seu lado,
o diretor artístico do centro Leoncavallo no seu auge, Matteo 'Flipper'
Marchetti, afirmou que hoje “é um dia triste para o protesto
antissistema, mas também para a cultura”, pois “Leoncavallo, com a sua
contracultura antagónica, teve um forte impacto nas escolhas artísticas
da cidade nos últimos 50 anos e tem sido um veículo e gerador de alta
cultura e outras culturas”.Já a Associação
Recreativa e Cultura Italiana (ARCI, de esquerda) lamentou que o
Governo de Meloni celebre despejos como o de hoje, mas continue a
“tolerar ocupações neofascistas”, como a da organização de
extrema-direita Casapound, referindo-se à sua sede em Roma.