Governo de Meloni é já o terceiro mais duradouro da República Italiana
20 de out. de 2025, 18:21
— Lusa/AO Online
Desde o final da II Guerra Mundial, em 1945, e
o fim da monarquia, decidido em referendo no ano seguinte, a República
italiana teve, ao longo dos seus 79 anos, 68 governos, o que significa
que a ‘esperança de vida’ média de um governo em Itália é de
sensivelmente 13 meses.Dada a facilidade e
frequência com que os governos, sobretudo de coligação, ‘caem’ em
Itália, muitos prognosticaram mais um governo efémero na sequência da
vitória dos Irmãos de Itália, de Meloni, nas eleições de setembro de
2022 – que levou este partido pós-fascista a formar um executivo de
coligação com a Força Itália (direita) e a Liga (extrema-direita).Na
quarta-feira, o primeiro governo liderado por uma mulher em Itália
cumpre três anos de mandato (iniciado a 22 de outubro de 2022) e, desde
hoje, alcançou o pódio dos mais duradouros.Com
a marca hoje alcançada, Meloni supera a longevidade do governo liderado
por Bettino Craxi (1.093 dias, entre 1983 e 1986) e, à sua frente, tem
agora apenas dois executivos liderados pelo mesmo primeiro-ministro, o
magnata Silvio Berlusconi, falecido em 2023, que foi chefe de Governo
por três ocasiões, detendo o recorde do governo mais duradouro (o seu
segundo, que cumpriu 1.412 dias, entre 2001 e 2005, assim como do
segundo com maior longevidade (1.287 dias, entre 2008 e 2011). Este
feito alcançado pelo executivo italiano considerado mais de
direita desde a II Guerra Mundial e dos tempos de Benito Mussolini -
ditador fascista que Meloni elogiava na sua juventude - foi assinalado
pela própria primeira-ministra na sua conta oficial na rede social X,
com a chefe de Governo a afirmar-se honrada por liderar “o terceiro
executivo mais longevo da história”.“Gostaria
de agradecer a todos. O vosso apoio e a vossa confiança são o motor da
nossa ação diária. Continuaremos a trabalhar com seriedade, determinação
e sentido de responsabilidade para estar à altura do mandato que nos
confiaram”, escreveu a líder dos Irmãos de Itália e do Governo de
coligação.Apostada em cumprir os cinco
anos de mandato, Meloni, ao fim de três anos, não só mantém intacta a
sua popularidade em Itália como continua a subir nas intenções de voto:
as mais recentes sondagens revelam que se houvesse eleições agora, a
líder dos ‘Fratelli d’Italia’ voltaria a vencer, com cerca de 30% dos
votos, acima do resultado que lhe conferiu o triunfo nas eleições
legislativas de 2022 (26%) e com uma vantagem confortável sobre o
principal partido da oposição, o Partido Democrático (centro-esquerda),
com 22%, enquanto Liga e Força Itália conseguiriam ambos resultados em
torno dos 9%, tal como há três anos.Um dos
motivos apontados para Meloni manter o seu ‘estado de graça’ é o facto
de ter conseguido estabilizar a economia italiana, que, 15 anos após a
crise da dívida soberana, conseguiu reconquistas a confiança dos
mercados, registando-se também uma forte queda na taxa de desemprego no
país.Recentes eleições locais em Itália
também têm revelado que os Irmãos de Itália de Meloni continuam a ser na
atualidade a principal força política no país, beneficiando igualmente
de uma oposição de esquerda dividida entre o Partido Democrático e os
populistas do Movimento 5 Estrelas.As
condições parecem estar assim reunidas para que o executivo de Giorgia
Meloni faça história em Itália, até porque, apesar de algumas disputas
no seio da coligação, designadamente com o líder populista da Liga,
Matteo Salvini – um dos dois vice-primeiros-ministros, a par de Antonio
Tajani, sucessor de Berlusconi à frente da Força Itália -, os partidos
que formam o governo têm conseguido evitar crises internas e gozam de
uma confortável maioria no parlamento.Num
mandato que tem sido marcado pela implementação de uma agenda
conservadora, pelo combate à imigração ilegal e pelas disputas com o
poder judicial, que pretende reformar, Meloni, 48 anos, também logrou
afirmar-se como uma figura credível na cena internacional, sendo dos
poucos líderes europeus a merecer recorrentes elogios do Presidente
norte-americano, Donald Trump, tendo sido de resto a única líder da UE
presente na sua tomada de posse.